“Como Eu Quero” é um dos primeiros e maiores sucessos do Kid Abelha. A balada romântica, composta por Leoni e Paula Toller, tem uma base eletrônica que lembra em muito a canção “Save a Prayer”, do Duran Duran, grupo pop britânico do estilo new romantic. Em seus versos, a composição reflete de forma simples uma visão feminina emocionalmente “autoritária” em um relacionamento amoroso:
Diz prá eu ficar muda
Faz cara de mistério
Tira essa bermuda
Que eu quero você sério...
Tramas do sucesso
Mundo particular
Solos de guitarra
Não vão me conquistar...
Uh! eu quero você
Como eu quero!
Uh! eu quero você
Como eu quero!...
O que você precisa
É de um retoque total
Vou transformar o seu rascunho
Em arte final...
Agora não tem jeito
Cê tá numa cilada
Cada um por si
Você por mim e mais nada...
Uh! eu quero você
Como eu quero!
Uh! eu quero você
Como eu quero!...
Longe do meu domínio
Cê vai de mal a pior
Vem que eu te ensino
Como ser bem melhor...
A capacidade do Kid Abelha de fazer uma canção pop que “gruda” na cabeça das pessoas foi demonstrada em “Pintura Íntima”. Lançada em 1984 e com uma sonoridade bem new wave, a canção foi sucesso nas pistas de dança. O refrão “fazer amor de madrugada / amor com jeito de virada” tornou-se um dos mais populares entre os hits dos anos 80. “Pintura Íntima” foi também a primeira composição de Leoni. Segundo ele, sua referência era a canção “Sexual Healing”, sucesso de Marvin Gaye, e a idéia era cantar sobre uma relação em que os problemas fossem resolvidos na cama, onde a “virada” que aparece no refrão significasse uma mudança no relacionamento do casal:
Vem amor que a hora é essa
Vê se entende a minha pressa
Não me diz que eu tô errado
Eu tô seco, eu tô molhado
Deixa as contas
que no fim das contas
O que interessa pra nós
É fazer amor de madrugada
Amor com jeito de virada
Larga logo desse espelho
Não reparou que eu tô até vermelho
Tá ficando tarde no meu edredon
Logo o sono bate
![]() Foto: Marcio Fernandes/AE Paula Toller, vocalista do Kid Abelha, em show de 2003 |
Eu tenho o gesto exato, sei como devo andar
Aprendi nos filmes pra um dia usar
Um certo ar cruel de quem sabe o que quer
Tenho tudo planejado pra te impressionar
Luz de fim de tarde, meu rosto em contra-luz
Não posso compreender, não faz nenhum efeito
A minha aparição será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão
Mantenho o passo alguém me vê
Nada acontece, não sei porque
Se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei
Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro a fórmula do amor
Da safra de sucessos dos anos 90, “Grand’Hotel” é um dos destaques. E é um bom exemplo da visão de mundo presente no repertório do Kid Abelha. Composta por Paula Toller e George Israel, a canção trata do fim da paixão, um tema tão presente e traumático nas relações amorosas, com uma abordagem mais leve e superficial:
Se a gente não tivesse feito tanta coisa
Se não tivesse dito tanta coisa
Se não tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor grand' hotel
Se a gente não dissesse tudo tão depressa
Se não fizesse tudo tão depressa
Se não tivesse exagerado a dose
Podia ter vivido um grande amor
Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "bom dia"
Qual o segredo da felicidade
Será preciso ficar só pra se viver
Qual o sentido da realidade
Será preciso ficar só pra se viver
A sensibilidade e a capacidade de fazer canções para dançar, se divertir e namorar parece ser o forte na carreira bem sucedida do Kid Abelha. Nada de engajamentos em questões sociais ou aprofundamentos em sentimentos mais angustiantes ou melancólicos. A canção do Kid Abelha é pop. No seu sentido mais simples.