Na maioria das listas com as melhores canções pop de todos os tempos ela está sempre lá. “Love Will Tear Us Apart” foi lançada em 1980 e virou quase que instantaneamente uma canção emblemática de uma geração. Ian Curtis não chegou a assistir ao sucesso que faria a letra que compôs para falar da dor da separação.
![]() Capa do álbum "Permanent: Joy Division" que traz duas versões de "Love Will Tear Us Apart" |
Uma música pesada, dançante, sombria, com a presença de um sintetizador que seria uma das marcas registradas do New Order, e a voz de Ian Curtis fizeram de “Love Will Tear Us Apart” uma manifestação poética da inevitabilidade, da insatisfação e do desespero do fim de um relacionamento.
Seus versos descrevem de forma lírica e angustiante os sentimentos de um protagonista – que se confunde com o intérprete e com a própria trajetória pessoal de Ian Curtis –, em uma situação sem saída, mas que o faz se sentir extremamente culpado por todo o sofrimento causado. Para enfatizar a sensação caustrofóbica e desesperadora de um amor que se foi, da separação e da culpa, a sonoridade da canção conduzida por Hook, Sumner e Morris cria uma atmosfera épica, que reflete o descontrole causado pelas paixões.
As estrofes constroem uma narrativa que mostram as evidências do fim de um relacionamento amoroso, do afastamento de um casal e de toda a incompreensão frente ao poder desse sentimento:
When routine bites hard
and ambitions are low.
And resentment rides high
but emotions won't grow.
And we're changing our ways
taking different roads.
Love, love will tear us apart again.
Love, love will tear us apart again.
Why is the bedroom so cold
turned away on your side?
Is my timing that flawed
our respect run so dry?
Yet there's still this appeal
that we've kept through our lives.
Love, love will tear us apart again.
Love, love will tear us apart again.
Do you cry out in your sleep,
all my failings expose?
Gets a taste in my mouth
as desperation takes hold.
Why is it something so good
just can't function no more?
Love, love will tear us apart again.
Love, love will tear us apart again.
Love, love will tear us apart again...
No refrão, o ponto alto de expressividade da canção, está a construção poética que enfatiza a contradição do amor, umas das mais sublimes expressões humanas, símbolo da união, como um sentimento que também afasta e separa.
A canção sobre um amor que não deu certo, e que se tornou uma das mais cultuadas na música pop, pode ter sido inspirada na crise conjugal e na infidelidade de Ian Curtis. Em seus versos, ao cantar a dor de despedaçar o coração de sua esposa, Curtis expressava também o seu próprio coração despedaçado e um sofrimento de culpa que pode ter contribuído para o seu suicídio.
Com “Love Will Tear Us Apart” como sua canção mais popular, o Joy Division tem conquistado gerações. Na virada dos anos 70 para os 80, num ambiente de desolação social, econômica e política ao seu redor, e alimentados pela fúria e negatividade do punk, eles conseguiram enxergar o futuro da canção pop e lançar alguns dos fundamentos poéticos e sonoros de boa parte do pop-rock que viria a seguir.