O espião que me amava: aliados, inimigos e origens

Autor: 
Ed Grabianowski

Da mesma maneira que James Bond não é como os espiões comuns, seus adversários e aliados certamente têm sido mais do que coadjuvantes sem rosto. O adversário mais proeminente nos primeiros anos foi o diabólico Ernst Stavro Blofeld, que liderava a organização SPECTRE (Executiva Especial para Contra-Inteligência, Terrorismo, Vingança e Extorsão), usada por ele para atingir seus próprios objetivos (na maioria das vezes, dominar o mundo ou conseguir enormes quantias de dinheiro).

Blofeld era conhecido por sua cabeça calva, uma cicatriz facial evidente e, de acordo com alguns, seu apego por um gato persa branco. No entanto, ele era famoso por lançar mão de maquiagens elaboradas, máscaras e até mesmo cirurgia plástica para alterar sua aparência. E como se isso fosse pouco, ele foi o responsável direto pelo assassinato da única mulher de Bond, Teresa di Vicenzo. Atualmente, presume-se que ele esteja morto em razão de uma queda de um helicóptero após uma luta com Bond (mas, quando se trata de Blofeld, nunca podemos ter certeza).

Outros inimigos importantes de Bond incluem:

  • Dr. Julius No - um cientista atômico que dizem ter perdido ambas as mãos;
  • Auric Goldfinger - um contrabandista obcecado por ouro e que também trabalha para a SMERSH, uma agência de espionagem russa;
  • Oddjob - o braço direito de Goldfinger;
  • Max Zorin - um psicopata criado com a engenharia genética;
  • Dentes de aço - um homem extremamente forte e com dentes de aço;
  • 006 - um antigo agente da MI6;
  • Elliot Carver - um magnata dos meios de comunicação obcecado por guerras.

Judi Dench como 'M' em 'Cassino Royale'
Imagem cedida por Sony Pictures Classics
Judi Dench como a mais recente "M", no filme de 2006
"Cassino Royale"

Felizmente, Bond não teve de enfrentar esses vilões sozinho, pois contou com aliados de dentro e de fora do MI6 que vieram auxiliá-lo nos momentos cruciais de sua carreira como 007:

  • M - é a chefe do MI6. Durante sua estada no MI6, Bond já trabalhou sob a chefia de vários "Ms" diferentes. Embora M normalmente ache os hábitos pessoais de Bond irritantes, tem respeito por seus muitos talentos;
  • Q - é o chefe do Escritório Q, a divisão de pesquisa e desenvolvimento do MI6. Diferentemente de M, houve apenas um Q durante muitos anos, o major Boothroyd, que, no papel de cientista louco do MI6, desenvolveu os equipamentos e armas que várias vezes salvavam a vida de 007. Outra coisa que nunca mudou foram suas reclamações por Bond sempre danificar seus experimentos. Infelizmente, o major faleceu após décadas de serviços prestados a seu país e foi substituído por um novo Q, que anteriormente era seu assistente: R.
    Carey Lowell como a Bondgirl e Desmond Llewelyn como o 'Q' original
    Imagem cedida por Sony Pictures Classics
    Carey Lowell como a Bondgirl Pam Bouvier e Desmond Llewelyn como o "Q" original no filme "007 Permissão para matar" de 1989
  • Moneypenny - assistente pessoal de M, Moneypenny é conhecida por seus duelos e flertes verbais com Bond, embora nunca deixe que isso a impeça de realizar seu trabalho;
  • Felix Leiter - as missões de Bond normalmente o colocam em contato com seus equivalentes americanos no campo da espionagem. Leiter ajudou Bond em pelo menos oito missões. Fontes discordam quanto à agência para a qual Leiter trabalha, que pode ser a CIA ou a DEA (Agência de Combate às Drogas);
  • General Anatol Gogol - esse antigo chefe da KGB foi adversário de 007 várias vezes, mas Bond reconheceu que ele era um homem de princípios com quem podia contar para derrotar os planos que ameaçavam a segurança global.

Jeffrey Wright como Felix Leiter em 'Cassino Royale', de 2006
Imagem cedida por Sony Pictures Classics
Jeffrey Wright como Felix Leiter em "Cassino Royale", de 2006

A origem de Bond
Claro, James Bond é um personagem de ficção, criado pelo escritor britânico Ian Fleming. O começo da vida de Fleming parece-se com a de Bond em certos aspectos: suas carreiras de jornalista e corretor de ações foram interrompidas pela Segunda Guerra Mundial. Ele tornou-se parte da Reserva de Voluntários da Marinha Real em 1939 e trabalhou em um cargo administrativo da Inteligência Naval. De vez em quando, Fleming também realizava missões de campo, incluindo invasão de locais para fotografar documentos importantes. O personagem de Bond, como aparece nos livros, é provavelmente uma versão romanceada do próprio Fleming, com traços adicionais de outras pessoas. Mesmo após sair da Marinha, Fleming desejava ter aventuras, fosse como repórter ou por diversão, mergulhando com Jacques Cousteau, esquiando, escalando montanhas e liderando "expedições" de amigos a lugares exóticos.

Os 13 livros de James Bond escritos por Fleming
Imagem cedida por Amazon
Ian Fleming escreveu 13 livros de James Bond
entre 1953 e 1964

Após a guerra, Flemming voltou ao jornalismo e fazia um retiro anual em uma propriedade na Jamaica que havia batizado de "Goldeneye". Foi nesse lugar que ele escreveu "Cassino Royale" e todos os livros seguintes de James Bond. Após mostrar "Cassino Royale" a um amigo que fazia leituras para uma editora, o romance foi aceito e atingiu um modesto sucesso comercial e de crítica. Fleming escrevia um novo livro sobre Bond a cada ano, eventualmente chegando a 13 deles. Após a morte de Fleming, em 1964, em razão de um ataque cardíaco, foi lançado um livro de histórias curtas sobre James Bond e outros escritores receberam licença para criar mais livros com Bond.

O Bond caracterizado nos livros é um personagem mais realista e obscuro do que charmoso petulante tão conhecido dos fãs de filmes. As superarmas e aparelhos de ficção científica também ficam de fora, e embora o Bond dos livros não sinta prazer em matar, ele não parece se importar muito em fazê-lo também.

O 007 original?
Alguns estudiosos acreditam que o filósofo, cientista e astrólogo John Dee tenha sido o 007 original. No século XVI, Dee serviu como conselheiro para a rainha Elizabeth I e assinava suas mensagens para a Rainha com dois zeros, que simbolizavam seu trabalho como os olhos da Rainha, seguido por um sete com a parte superior cruzando os zeros. Aparentemente, esse sete tinha algum significado oculto para Dee. Por isso seu "codinome" era 007, e ele realizou tarefas de espionagem e contra-espionagem a serviço da Rainha.