Introdução

Cantar sobre as alegrias de uma terra idílica, que está em permanente festa, em que as desigualdades parecem não existir e em que dançar ao redor de um trio elétrico soluciona qualquer problema. Com essa fórmula, Ivete Sangalo conseguiu ser a artista que mais vendeu DVDs no Brasil em 2007, atingindo a marca recorde de 550 mil cópias do show “Ao Vivo no Maracanã”, segundo a Universal Music. Em plena crise do mercado fonográfico, ela garantiu o primeiro lugar em vendas de DVD musical da gravadora no mundo todo, deixando em segundo lugar o “Unplugged in New York”, do grupo Nirvana, com 172 mil cópias vendidas.

Ivete Sangalo sozinha
Foto: Jonne Roriz/AE
Ivete Sangalo em Salvador (BA) no Carnaval de 2007

Ivete Sangalo é atualmente a principal representante do axé music, um gênero que parecia estar à beira da extinção no final dos anos 90. Criado com uma conotação pejorativa pelo jornalista baiano Hagamenon Brito, em 1987, o termo axé music serviu para nomear as músicas feitas na Bahia que apresentam muito ritmo e pouco compromisso com a qualidade das letras ou dos arranjos. O termo foi logo adotado pela mídia para designar o estilo que surgia, caracterizado pela mistura de ritmos nordestinos, africanos e caribenhos.

O marco inaugural do axé foi a música “Fricote”, de Luiz Caldas, feita para dançar e com letra maliciosa, que agradou ao público e chamou a atenção do mercado fonográfico para um novo filão comercial a ser explorado. Mas foi com o samba-reggae elétrico de Daniela Mercury, em 1992, que o axé music ganhou adeptos por todo o país, o que convenceu as gravadoras de que era hora de investir no novo estilo.

Surgia assim uma estrutura comercial que transformou o axé music em um “produto Bahia” altamente vendável, fabricado exatamente nos moldes da indústria cultural preconizados pelos teóricos da Escola de Frankfurt nos anos 40: uma música “limpa”, distanciada do contexto cultural de origem, acrescentada de elementos populares já experimentados no mercado, como festa, romantismo, danças coreografadas, a fim de facilitar a sua aceitação por um público heterogêneo e abrangente.

Impulsionado pelas micaretas (ou carnavais fora de época) que passaram a acontecer por todo país e por uma intensa divulgação do gênero pela mídia, o axé music se profissionalizou e tornou-se um dos campeões de vendagem da década de 90, assim como o sertanejo-pop enquanto foi moda na virada dos anos 80 para os 90. Durante aquela década, apoiados pela indústria fonográfica e pela mídia, inúmeros grupos passaram a explorar a fórmula à exaustão, como a Banda Eva, Chiclete com Banana, Bandamel, Netinho, Banda Beijo, Araketu, Asa de Águia, Timbalada, Terra Samba e É o Tchan, entre outros. Mas no final dos anos 90, o gênero começou a mostrar sinais de decadência, quando as vendas de discos caíram drasticamente, graças ao desinteresse do público e à mudança de vários artistas para outros estilos musicais.

Mas a trajetória de Ivete Sangalo deu uma sobrevida ao axé music. A cantora vendeu mais de 8 milhões de discos, desde que estreou como vocalista da Banda Eva, em 1993, até o final de 2007. Faz parte do seu sucesso ser uma personalidade em evidência na mídia, receber um dos maiores cachês do país e ser uma requisitada garota-propaganda do mercado publicitário.

Ivete Sangalo
início: 1992
gênero: axé music
principais influências: reggae, frevo, forró, MPB e samba
primeiro álbum: Banda Eva (1993)
álbum mais vendido: MTV ao Vivo (2004)