Oceanos simulados e Maya

John Anderson, cientista da ILM, desenvolveu uma simulação sofisticada do oceano, que poderia ser manipulada para criar o tipo de mares que "Mar em Fúria" precisava. A simulação precisou imitar da ondulação da água até ondas com o tamanho de prédios de 10 andares.

O conjunto de regras científicas que simulam a forma como a água age e reage é chamada, geralmente, de dinâmica dos fluidos. A dinâmica dos fluidos domina tudo, desde a corrente de ar sobre uma asa até qualquer tipo de água que se move (é um campo bastante vasto!). Uma simulação de água bem feita obedece as leis da física que se referem à água e é incrivelmente precisa nas formas que segue as leis da dinâmica dos fluidos. De qualquer forma, também deve-se levar em conta a "aparência" da água em diferentes condições luminosas, bem como integrar a água em cenas de ação.

A simulação básica da dinâmica dos fluidos forneceu a fundação para o corpo do oceano e ficou conhecida como a água do fundo no filme. A forma como o oceano interage com objetos rígidos como os barcos, permitiu que a equipe compreendesse exatamente como cada objeto se moveria no mundo real sob as mesmas circunstâncias.


Foto cedida da ILM
Nesse oceano simulado, pode-se ver formações grandes e pequenas, ondas e espuma que parecem completamente reais

O modelo de Andrea Gail (o barco principal do filme) é um mistério, com objetos como cabos e bóias reagindo ao vento e também ao movimento do oceano.

Além disso, para obter a movimentação rotatória de um oceano em tempestade, a ILM colocou uma câmera virtual na simulação em um segundo barco e essa câmera virtual apontava para um objeto alvo invisível no barco que era o foco da cena. Ela tem um certo grau de liberdade que imita a dificuldade que uma pessoa teria para segurar uma câmera e tentar ficar em pé num objeto em movimento. Esse método é usado em várias cenas para aumentar o realismo.

A maioria do trabalho de modelagem tridimensional foi feito usando-se o aplicativo de um software comercial chamado Maya, feito por Alias Wavefront. O mais legal sobre o Maya é que ele tem uma programação de linguagem completa C++, que permite que os animadores e designers escrevam seus próprios plug-ins. A equipe de "Mar em Fúria" da ILM escreveu mais de 30 plug-ins para o Maya nesse filme. Eles também escreveram aplicativos independentes para aspectos específicos como os "produtores de sombra" e sistemas de partículas das cenas do oceano.