Grunge: o rock alternativo de Seattle para o mundo

Uma década e meia após a revolução punk, o rock estava moribundo. E, mais uma vez, foi do underground que veio sua salvação. Não com o mesmo impacto e importância, mas o suficiente para injetar um pouco de vitalidade num gênero em crise.

Nirvana
Reprodução
Box de CDs do grupo Nirvana,
o principal nome da cena alternativa de Seattle nos anos 90


Um som alternativo feito em Seattle (EUA) por grupos ligados ao selo independente Sub Pop surgiu como um novo alento no começo dos anos 90. Essa nova canção ficou conhecida como grunge. Ela trazia um som pesado com guitarras predominantes, como no heavy metal, mas cru, simples e agressivo como o punk e com letras que mostram uma visão pessimista do mundo.

O lançamento do disco “Nevermind” (1991), do Nirvana, revelou a força do novo estilo. Desde o punk, não se ouvia canções tão impactantes como “Smells Like Teen Spirit”, “Come As You Are”, “In Bloom” e “Lithium”. O disco imediatamente virou um sucesso mundial e o grunge emergiu do cenário alternativo para se tornar a tendência musical da primeira metade da década de 90.

Além do Nirvana, outro grupo de Seattle, o Pearl Jam, se destacou como um dos expoentes do grunge. Alice in Chains, Soundgarden, Stone Temple Pilots, Bush e Silverchair foram bandas que alcançaram sucessos dentro da estética, que ia além da música e incluía o comportamento e a moda. Bermudões e camisas de flanela caracterizavam o visual grunge, usado por jovens que compartilhavam a crítica à sociedade de consumo e ao capitalismo.

O suicídio de Kurt Cobain, líder do Nirvana, em 1994, marcou o crepúsculo da onda grunge. Ainda não dá para avaliar a influência que o gênero exerce sobre a canção jovem atual e que terá na futura. Mas, apesar da importância do movimento, é certamente a obra do Nirvana, com suas letras angustiantes e suas melodias raivosas ou apaixonadas, uma das grandes heranças da música alternativa das últimas décadas para a cultura jovem.