![]() Reprodução O álbum "Clara Crocodilo", de Arrigo Barnabé, inaugurou o movimento da Vanguarda Paulista |
O Lira Paulistana abrigou, ao mesmo tempo, novas bandas paulistas que ajudaram na renovação do pop-rock brasileiro dos anos 80, como Titãs e Ultraje a Rigor, e as experimentações da Vanguarda Paulista, encabeçadas por Itamar Assumpção, Premeditando o Breque e Rumo. Algumas propostas vanguardistas desses artistas trabalharam nos limites entre a música erudita contemporânea e a canção pop. Como no caso de Arrigo Barnabé, com suas incursões pelo dodecafonismo e pela atonalidade misturados a elementos do rock. Arrigo Barnabé inaugurou essa nova estética com o lançamento do disco independente “Clara Crocodilo”, em 1980.
Desde então até 1985, houve uma intensa produção de música independente sob o rótulo da Vanguarda Paulista. Apesar de não haver uma uniformidade estética nela, alguns elementos caracterizaram os trabalhos produzidos nesse período da música alternativa em São Paulo. O predomínio da fala nas canções, ou de um cantar falado, é uma marca do grupo Rumo e de alguns trabalhos de Itamar Assumpção. No caso do Língua de Trapo e do Premeditando o Breque, a principal característica é o humor, com letras irônicas e sarcásticas cantadas sobre uma diversidade de sonoridades, do heavy metal ao samba-de-breque. Em toda a produção da chamada Vanguarda Paulista, no entanto, um elemento comum é a crítica, principalmente cultural e política.

Assumidamente alternativo e com intenções de conduzir uma renovação na canção popular jovem, a primeira desde o tropicalismo no final dos anos 60, a Vanguarda Paulista não se popularizou além do circuito artístico e universitário de São Paulo. Nascido no underground, ele foi ao longo dos anos 80 se diluindo sem virar um sucesso comercial, naquele momento alcançado pelos grupos que fizeram a renovação do pop-rock brasileiro.