Rock underground: o CBGB e a cena alternativa de Nova Iorque

Desde o final da década de 60, Nova Iorque concentrou um importante movimento underground no rock e no pop. Graças principalmente a clubes noturnos dedicados às canções alternativas, como o CBGB e o Max’s Kansas City. Essa cena começou a ganhar destaque na segunda metade da década com o aparecimento do Velvet Underground. Além do som e das letras que destoavam do padrão hippie, psicodélico-progressivo da segunda metade dos anos 60, o envolvimento de Andy Warhol, artista multimídia e pai da Pop Arte, na produção do grupo ajudou a projetá-lo como o principal representante de um rock alternativo.

Velvet Andy
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Capa de álbum do Velvet Underground produzido por Andy Warhol


O Velvet Underground trouxe para o cenário pop da década de 60 uma sonoridade crua, comandada pela guitarra de John Cale, um vocal precário, de Lou Reed, e letras sobre perversões sexuais, jovens desesperançados, violência e alienação da vida urbana. Comparado aos rocks psicodélicos ou às canções dos Beatles, que ditavam a moda musical da época, a proposta do Velvet era totalmente estranha, niilista e agressiva. Um rock underground, para ser apresentado em clubes noturnos alternativos e apreciado por intelectuais, artistas e diversas pessoas que se sentiam à margem da sociedade. O Velvet Underground nunca foi um campeão de vendagens, mas sua importância e sua influência na canção pop foram inversamente proporcionais ao seu sucesso comercial. O grupo inspirou precursores do punk, como The Stooges e MC5, o glam rock de David Bowie e Roxy Music, o gótico de The Jesus and Mary Chain e o fenômeno punk de Ramones e Sex Pistols.

Velvet disco
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A cena de música alternativa em Nova Iorque, inaugurada pelo Velvet Underground, se estenderia até os anos 80 em torno do movimento punk. Fator essencial para esse fenômeno foi o clube noturno CBGB, que surgiu em 1973 e tornou-se um espaço para a apresentação de novas bandas e novas propostas musicais. Por ele passaram grupos seminais como Television e Ramones e em torno dele construiu-se a cena punk original. Em meado dos anos 70, nada poderia ser mais alternativo, independente e underground do que o radicalismo do punk-rock.

Blondie
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Capa de álbum do grupo Blondie, que se destacou
na cena underground do clube CBGB em Nova Iorque


O CBGB foi também um dos berços da new wave, uma versão mais progressista e bem menos niilista do punk, ainda que mantendo várias características deste. No pequeno palco do clube noturno, na segunda metade dos anos 70, Talking Heads e Blondie mostraram ao público a nova música alternativa que faziam. Alguns anos à frente, o punk e a new wave foram incorporados como produtos das grandes gravadoras e os tempos de independência associados a esses gêneros ficaram para trás. Fenômeno que seria recorrente em parte dos estilos que nascem no underground e tornam-se populares.