Introdução


música indie

Undergrounds, independentes, alternativos, indies. Desde os anos 60, a canção pop que não segue um padrão de sucesso comercial tem recebido algum rótulo que a distingue daquilo que domina o mercado musical. Pode parecer estranho, mas mesmo no universo do pop, onde predominam as fórmulas que almejam vendagem e popularidade, há artistas e trabalhos alternativos e independentes. Foi assim com o Velvet Underground nos anos 60, com o Talking Heads no final da década de 70, com o REM nos anos 80, com o Nirvana nos 90 e com a safra de novas bandas do começo do milênio, como Arctic Monkeys e The Strokes. Algumas até acabam bem-sucedidas comercialmente e as estéticas que inventam saem do underground para se tornarem parte dos estilos dominantes, como aconteceu com o grunge do Nirvana ou com a new wave dos Talking Heads.

Arctic Monkeys 1
Reprodução / www.arcticmonkeys.com
O grupo britânico Arctic Monkeys, expoente do rock indie


A denominação indie tem sido, desde o final dos anos 90, a mais usada para esse tipo de canção, que nas décadas anteriores vinha sendo chamada de underground ou alternativa. O termo ganhou destaque notadamente no rock que tem produção independente (aliás, indie é justamente a abreviação da palavra “independente” em inglês), fora das grandes gravadoras, e que propõe uma sonoridade diferente. Assim, em vez de ser um gênero musical específico, indie é uma classificação para artistas e grupos musicais com uma atitude de oposição ao que prevalece comercialmente e que optam por uma estratégia de maior autonomia em suas carreiras.

Strokes
Reprodução
Os Strokes na capa da revista Rolling Stone;
a cena indie ganha projeção e mercado


No novo milênio, com a ampla popularização da Internet e dos sites de relacionamentos ligados ao universo da música jovem, como o MySpace, o fenômeno indie ampliou seus horizontes, com as facilidades da divulgação dos trabalhos de novos artistas junto ao público ao redor do planeta. Esse movimento de independência, com o uso das novas tecnologias da comunicação para se livrar das imposições das grandes gravadoras e do mercado, tem sido levado adiante não só pelas novas bandas que surgem como também por muitos grupos consagrados. Assim, composto por diferentes subgêneros do rock e do pop, o fenômeno indie é a atualização de uma tendência que vem sendo construída mais consistentemente desde os anos 80 na canção pop.

 

Is This It
Reprodução
O álbum "Is This It", dos Strokes, projetou a cena indie no novo milênio

 

 

Com a crise na indústria fonográfica e no modelo tradicional de comercialização de músicas, as estratégias e estéticas alternativas, assim como as bandas, ganharam espaço e importância. O que torna o fenômeno “indie” atual e abrangente. Conheça nas páginas a seguir como a cena underground dos anos 60 evoluiu para o indie do novo milênio e descubra alguns dos mais importantes movimentos e artistas considerados alternativos nessa trajetória.

REM
Divulgação
O grupo REM: eles ainda são indies?

Será que é indie?

Muito do que é "alternativo" num momento vira produto da indústria cultural em outro. Esse é um processo recorrente no pop desde os anos 60. Rock psicodélico, punk, new wave e grunge nasceram alternativos e pouco depois integravam as tendências dominantes da canção pop. Como o indie se caracteriza mais por uma atitude de independência em relação às tendências, e por estratégia alternativas para alcançar o público, do que por elementos estéticos, nem tudo que nasce indie assim permanece. Vários grupos que surgem sob o rótulo deixam de sê-lo após os sucessos que alcançam e com suas adesões aos mecanismos comerciais da indústria fonográfica. Mas abandonar a antiga condição pode não ser tão simples, principalmente após “ser indie” ter virado uma categoria mercadológica da música pop e um fator de atração para fãs. Vejamos alguns casos:

REM
: grupo de pop-rock alternativo que surge nos anos 80 e torna-se um fenômeno graças à divulgação de seu trabalho pelas rádios universitárias norte-americanas. A consistência crítica das letras, videoclipes conceituais, atitudes de engajamento do grupo em causas sociais e uma postura anti-pop star dão ao REM uma imagem “indie”, mas o grupo já faz parte do mainstream da canção pop desde os anos 80.

Nirvana
: um dos “inventores” do grunge, rock alternativo com sonoridade pesada e letras pessimistas, fez parte da safra de bandas da cena independente de Seattle (EUA) do começo dos anos 90, ligadas ao selo Sub Pop. O sucesso estrondoso do grupo levou o grunge e o próprio Nirvana a virarem “meninas dos olhos” da indústria fonográfica.

Radiohead
: a banda de Oxford (Inglaterra) surgiu no cenário do pop-rock alternativo no final dos anos 80. Apesar de conhecidos no circuito indie, o sucesso do Radiohead aconteceu com eles já contratados pela EMI, uma das maiores gravadoras do mundo. A canção “Creep”, lançada no álbum “Pablo Honey” (1993), foi o primeiro hit internacional do grupo. Em 2007, o Radiohead adotou uma estratégia alternativa. Fora da EMI, o grupo lançou seu álbum “In Rainbows” pela Internet, com downloads onde o internauta decidia o quanto queria pagar.

The Strokes
: um dos pioneiros da onda “indie” do novo milênio, a banda nova-iorquina foi uma das percussoras do ressurgimento do rock de garagem na virada do século. Os Strokes emergiram do underground para a condição de pop stars já com seu disco de estréia, “Is This It” (2001), lançado pela gravadora RCA. Com sua atitude, o grupo projetou o rótulo indie como uma marca estética para as bandas que saíram da cena alternativa e encabeçaram a revitalização do rock.