A enorme popularidade de Marilyn Monroe e sua grande identificação como símbolo sexual levou sua imagem até os artistas.
A carreira de Marilyn coincidiu com uma era da arte americana em que os pintores começaram a explorar o potencial das imagens populares pra se expressar. Essa exploração atinge o auge no movimento de arte pop do fim dos anos 50 e começo dos anos 60.
Marilyn fascinou
grandes artistas por muitos anos.
Essa impressionante escultura de
12 metros é do artista
canadense Christopher Rees.
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Artistas foram inspirados pela habilidade dos meios de comunicação e da publicidade para criar imagens que rapidamente identificamos como se fossem experiências nossas. Eles ficam fascinados com a maneira na qual imagens populares conseguiam sugerir imediatamente um produto ou comunicar uma idéia.
Alguns desses artistas, inclusive Andy Warhol, Robert Rauschenberg e Claes Oldenburg, extraíram imagens familiares ao público do seu contexto original e as transformaram em arte, elevando-as ao nível das imagens abstratas. Na verdade, os artistas distorceram a linha que separava a cultura popular das belas artes.
Marilyn Monroe se tornou a sacerdotisa da arte pop, freqüentemente celebrada como símbolo da sexualidade feminina, mas às vezes condenada pela sociedade por comercialização do sexo.
Como exemplo recente da sua imagem na arte temos a pintura, de 1954, do impressionista abstrato Willem de Kooning. Embora não fosse um artista da arte pop, de Kooning pinta Marilyn com um estilo característico.
Pinceladas esparsas de tinta crua criam uma textura na qual a imagem de Marilyn é sugerida, somente para entrar em contraste com o caos que momentaneamente lhe dá forma.
Na pintura de Kooning, Marilyn Monroe foi reduzida a suas características mais conhecidas: sua pinta preta e sua boca vermelha.
Talvez sua primeira aparição no contexto pop-art foi em "This Is Tomorrow", uma famosa exibição no Whitechapel Gallery de Londres, em 1956. Uma foto de Marilyn no filme "O pecado mora ao lado (em inglês)" foi incluída em um trabalho de Richard Hamilton que envolvia imagens populares daquela época.
Essa popularidade tomou proporções mundiais e é indicada por sua presença na arte européia também, incluindo uma colagem pop-art de Mimmo Rotella chamada "Marilyn Decollage", de 1964.
Uma grande foto dos ombros nus de Marilyn é o centro da obra. A foto é estrategicamente cortada a certa altura de seus seios, revelando a brincadeira com as palavras "colagem" e "decote".
O uso mais memorável da imagem de Marilyn nas artes são as telas de Andy Warhol, que oferecem um comentário incômodo sobre a comercialização de Marilyn Monroe.
A primeira vez que Warhol usou a imagem de Marilyn foi em 1962 em uma tela chamada "The Six Marilyns" ou "Marilyn Six-Pack".
Ele escolheu uma fotografia promocional da atriz no filme "Torrente de paixão (em inglês)", aumentou seu rosto para proporções imensas e pintou a imagem em uma tela seis vezes. Ele manipulou a imagem usando verdes exuberantes, magentas para os olhos e lábios e ajeitando as cores para que contrastassem.
A fama de Marilyn estava em seu rosto, especialmente em seus lábios vermelhos e sedutores. A pintura de Warhol distorce, propositalmente sua face e lábios, enfatizando a artificialidade de sua imagem e suscitando que isso era comercialização grosseira de uma imagem que poderia levar Marilyn ao declínio.
Warhol reciclou o retrato de Marilyn em várias outras telas durante os anos 60, ocasionalmente usando-as como papel de parede. Ele mudava as cores da boca e dos olhos com freqüência, mas sempre usava a mesma fotografia.
![]() Escultores se unem para dedicar seu trabalho contra a ostensiva venda comercial de itens como essa caneca e esse conjunto de sal e pimenta |
Ciente da figura de Marilyn como sacerdotisa da arte pop, a Sidney Janis Gallery em Manhattan teve a curadoria da exibição de 1967 chamada "Homage to Marilyn", que incluía trabalhos de Kooning, Warhol, Oldenburg, George Segal e Salvador Dali. Culturalmente, Marilyn é tanto uma figura dos anos 50 quanto dos anos 60.
Se os artistas às vezes usaram a imagem de uma estrela de cinema para representar uma idéia abstrata, então a art pop também pode fazer o mesmo. Três décadas depois de sua morte, o rosto de Marilyn e sua imagem estampam uma série de itens, desde cartões até baralho, de cerâmica a lençóis.
Agradando uma multidão de fãs, a figura de Marilyn encanta no Museu de Cera Madame Tussaud, em Londres. A estátua de cera, criada no fim dos anos 50, tem sido periodicamente tratada para refletir as mudanças da pessoa pública de Marilyn.
De um modo mais modesto, sua imagem continua a ser usada na publicidade e na promoção de produtos, incluindo propaganda, outdoors e comerciais de televisão.
A arte, os produtos, os livros, os filmes, os rumores, as comemorações, tudo isso é conseqüência da longevidade única de Marilyn. Ela continua a encantar com seu talento e a fascinar com sua beleza.
![]() Figurinos são um elemento familiar
do comércio do
fenômeno Marilyn Monroe
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Nos corações de muitos, ela continua insuperável. Mas ainda assim, sua morte deixa uma sombra escura sobre sua imagem.
Vemos que sua inocência a tornou vulnerável, e que suas tragédias pessoais levaram sua vida a uma conclusão triste e prematura. E as circunstâncias de sua morte continuam a nos intrigar.
Freqüentemente usada como símbolo de Hollywood, a imagem de Marilyn Monroe celebra o glamour de uma cidade enquanto nos lembra de suas armadilhas.
A longetividade de Marilyn pode ser resultado, em partes, das lições que ela continua nos ensinando. Além dos poderes que sua imagem simboliza, sua vida e carreira têm sido usadas para demonstrar vários temas, desde a hipocrisia da indústria cinematográfica até a freqüente ação de vitimar mulheres em uma sociedade em que os homens têm o controle.
Talvez o mais importante de tudo é que sua imagem e lenda são uma parte notável de nossas vidas e de nossa cultura. Agora, ela pertence a nós, algo que Marilyn já sabia de sua incompleta biografia. "Eu sabia que eu pertencia ao público e ao mundo", ela escreveu, "não porque eu era talentosa ou bonita, mas porque eu nunca fui de mais nada ou de ninguém".