Biografias de Marilyn Monroe

É o trabalho dos biógrafos descobrir o que é fato e o que é folclore para daí analisar a importância de Marilyn Monroe na cultura. Alguns biógrafos fazem um trabalho sério, enquanto outros perdem o senso e acabam distorcendo os fatos baseados em informações errôneas.

As melhores biografias costumam ser aquelas cujos autores pesquisaram sua vida integralmente por meio de entrevistas com amigos e antigos associados, revendo artigos publicitários originais e novos contatos, além de pesquisar os efeitos de certos filmes e fotografias de sua carreira.

Os melhores livros sobre Marilyn oferecem uma perspectiva nova sobre sua vida. Outros são descaradamente exploradores.
Os melhores livros sobre Marilyn oferecem uma perspectiva nova sobre
sua vida. Outros são descaradamente exploradores.


"Legenda: The Life and Death of Marilyn Monroe" de Fred Lawrence Guiles e "Goddess: The Secret Lives of Marilyn Monroe" de Anthony Summers são as biografias mais fiéis e detalhistas.

Embora alguns estimem que haja mais de 300 livros escritos sobre Marilyn Monroe, pouquíssimos foram autorizados antes de sua morte. O melhor deles é "Marilyn Monroe" de Maurice Zolotow, cuja primeira edição é de 1960.

Às vezes uma imagem vale mais que mil palavras; "Monroe: Her Life in Pictures" de James Spada e George Zeno, "Marilyn: An Appreciation" de Eve Arnold, e "Marilyn Monroe and the Camera" mostram momentos da carreira da atriz através de uma seleção de fotografias picantes e provocativas.

Muitos acreditam que a maioria das publicações sobre Marilyn Monroe são comentários feitos por pessoas que só a conheciam superficialmente, por funcionários do estúdio onde ela trabalhou, e histórias contadas por homens que supostamente teriam tido algum envolvimento físico com ela (se todos os que afirmam ter sido amantes da Marilyn estivessem dizendo a verdade, ela dificilmente teria tempo para fazer filmes).

Como um ícone cultural, Marilyn Monroe inspirou autores importantes e dramaturgos a analisar sua vida e carreira, além do seu impacto na sociedade. Dois interessantes, e contraditórios, pontos de vista são apresentados por Norman Mailer e Gloria Steinem em seus respectivos livros.

Apesar do título, o livro de Mailer, "Marilyn: A Biografia", não é um relato factual e honesto de sua vida. O ganhador do Prêmio Pulitzer ultrapassou os limites da vida da atriz e completou a obra com suas impressões pessoais, criando o que ele chamou de "novela biográfica".

Ele cria hipóteses sobre o que Marilyn pensava de certos acontecimentos e interpreta os sentimentos dela por pessoas que ela conheceu. Mailer fala mais sobre o efeito que Marilyn Monroe exercia nos homens da sua geração do que sobre a vida da atriz.

Marilyn's appeal to magazine editors-and to readers-is undiluted by time
O poder da imagem de Marilyn para editores de revistas não diminuiu com o tempo

Contrastando com a interpretação masculinizada de Mailer, temos a perspectiva feminista de Gloria Steinem com "Marilyn: Norma Jeane", composto de uma série de artigos em tópicos relacionados à vida e à imagem da estrela.

Steinem fala sobre a vida de Marilyn de modo compreensivo, de um ponto de vista único e que só seria possível após o movimento feminista. As forças que afetaram a vida e a carreira de Marilyn são reinterpretadas através dos olhos de uma mulher.

Apesar de alguns esperarem que Steinem fosse criticar Marilyn por ser um símbolo sexual, a feminista simpatizou-se com a busca da atriz por sucesso e respeito. Steinem foca a humanidade de Marilyn ao colocar sua sexualidade em segundo plano.

Desde 1955, quando George Axelrod parodiou a loira mais famosa do mundo em "Will Success Spoil Rock Hunter?", dramaturgos fazem uso da imagem de Marilyn em uma série de trabalhos.

Algumas peças usaram Marilyn como símbolo de exploração, como no drama off-off-Broadway (apresentado em teatros com menos de 100 lugares) de Tom Eyen, de 1964, "The White Whore and the Bit Player". Outros romantizaram a vida de Marilyn em um tributo a ela, como no musical britânico, "Marilyn!" (1983).

Outros roteiristas evocavam o mito que envolvia Marilyn Monroe, comentando sobre sua longevidade e sua significância cultural. Trabalhos notáveis desse tipo, incluem o de Patricia Michaeis, "Marilyn: An American Fable", e o de Robert Patrick, "Kennedy's Children".

Uma interpretação particularmente teatral de Marilyn Monroe é "After the Fall", um drama de Arthur Miller detalhando o tumulto da união dos dois. Fãs supõem que a peça de 1964 contenha referências pessoais ao casamento de Miller e Monroe, de um ponto de vista dolorosamente íntimo.

Em 1986, Norman Mailer escalou Marilyn para uma peça chamada "Strawhead", em que sua filha, Kate Mailer, tinha o papel principal. A peça foi apresentada durante duas semanas no Actors Studio, em Nova Iorque, recebendo muitas críticas desfavoráveis.

Produções mais populares, que contaram com a presença de Marilyn Monroe incluem a revista "Legends in Concert", que apresentou convincentes personificações de Marilyn, Elvis Presley, Judy Garland e outros ícones do show-biz.

Enquanto as imitações de Marilyn tinham uma tendência a serem usadas como metáforas e símbolos, a maior parte dos filmes em cinema e na televisão eram usados para recontar, superficialmente, a história de sua vida.

Uma das tarefas mais difíceis para se interpretar a vida de Marilyn, principalmente em filmes ou na televisão, tem sido encontrar pessoas para atuar. A atriz que interpretar a Marilyn deve capturar todos os seus gestos e poses sem que isso pareça caricato.

Pelo menos 30 atrizes de teatro e cinema tentaram relembrar ou recriar a personalidade carismática de Marilyn, mas a maioria delas falhou. Algumas das tentativas mais vergonhosas de teatro e cinema incluem a performance monótona de Misty Rowe no filme de Larry Buchanan, "Goodbye, Norma Jeane", e a atuação de Paula Lane no filme "Goodnight, Sweet Marilyn" também de Buchanan.

As biografias televisivas são as que concentram menor qualidade. Um exemplo é "The Sex Symbol" estrelado por Connie Stevens. Com um elenco mal escolhido, Stevens não pode fazer melhor que exagerar os gestos e a voz de Marilyn até atingir a paródia.

Baseado no romance de 1966 de Alvah Bessie "The Symbol" foi ao ar em 1974. Sem respeito e sem afinidade com a personagem que dá título ao filme, "The Sex Symbol" apenas explorou a imagem de Marilyn. Os anúncios das peças na Europa abusaram ainda mais de Marilyn ao publicar cenas de nudez que não foram ao ar na televisão americana.

Many film and TV actresses have portrayed Marilyn; few have been as credible as Catherine Hicks.
Muitas atrizes de teatro e televisão tentaram se parecer com Marilyn, mas poucas tiveram tanto sucesso como Catherine Hicks


A performance de Catherine Hicks na biografia que iria ao ar em 1980, "Marilyn: The Untold Story", é geralmente considerada a melhor biografia fotográfica de Marilyn Monroe.

Produzida por Lawrence Schiller, o fotógrafo que tirou as famosas fotos de Marilyn no set de filmagem de "Something's Got to Give", "Marilyn: The Untold Story", a biografia, baseou-se na "novela biográfica" de Norman Mailer.

O filme contou com a participação de três habilidosos diretores, inclusive o veterano de Hollywood Jack Arnold. A incrível equipe dos bastidores do filme garantiu uma boa diversão, mas o filme de três horas não aborda a personalidade de Marilyn e falha ao trazer somente fatos já conhecidos à história de Monroe.

Catherine Hicks, cuja boa performance é o chamariz da produção, conseguiu adequar a voz de Marilyn, suas maneiras e apresenta a encantadora presença de Marilyn sem que isso pareça exagerado.

Hicks recebeu uma justa indicação ao Emmy (em uma troca irônica, a "substituta" de Monroe, Sheree North, aparece nesse filme no papel da mãe de Marilyn).

Uma representação ainda mais elaborada e intrigante de Marilyn é a do diretor Nicolas Roeg no filme "Insignificância", uma provocante versão cinematográfica da peça britânica de Terry Johnson.

Estreando em 1985, o filme não é exatamente sobre Marilyn, mas uma especulação sobre sua fama e a ameaça de uma guerra nuclear. A narrativa gira em torno do relacionamento entre personagens não identificados de um grupo: uma estrela de cinema, um jogador de beisebol, um cientista e um senador (dizem que os pensonagens se assemelham muito a Marilyn Monroe, Joe DiMaggio (em inglês), Albert Einstein e o senador Joseph McCarthy, respectivamente).

Theresa Russell, usando um vestido branco muito parecido ao que Marilyn usou no filme "O pecado mora ao lado", representa a estrela de cinema. Embora Russell não se pareça fisicamente com Marilyn, ela consegue, com sucesso, representar sua imagem.

Outras adaptações de personagens de Marilyn incluem Kim Stanley fazendo o papel principal do drama, "The Goddess" (1958), Faye Dunaway como Maggie na adaptação televisiva, "After the Fall" (1974), e Linda Kerridge como uma diferente Marilyn no suspense "Fade to Black" (1980).

Em cada um desses filmes, a imagem de Marilyn foi usada para simbolizar temas e idéias que eram maiores que os acontecimentos do enredo.

A imagem iconográfica de Marilyn até apareceu em trabalhos de arte. Descubra mais na próxima seção.