Cada episódio de “House” apresenta um caso principal, geralmente enigmático, cheio de mistérios e de altos e baixos, além de outras tramas menores que se passam principalmente na clínica. Nesse aspecto, os problemas médicos lembram muito contos policiais e há várias semelhanças entre seu modo investigativo e o do famoso detetive Sherlock Holmes.
![]() Divulgação House é um polêmico médico com métodos pouco ortodoxos e capaz de solucionar as doenças mais misteriosas que surgem no hospital em que chefia a equipe de diagnósticos |
É importante saber que, às vezes, os diagnósticos e os tratamentos apresentados na série são fiéis aos que ocorrem na realidade. Mas alguns contêm erros no procedimento e na conduta. A série em geral busca casos estranhos e intrigantes, muitas vezes comprometendo a qualidade médica do assunto. Outras vezes, não.
Em linhas gerais, os casos são investigados a partir dos sintomas escritos em um quadro branco, no qual as possíveis causas são analisadas. Com dados dos exames e histórico médico, as possibilidades são gradativamente descartadas. Outras vezes, devido à urgência ou por mera especulação, o tratamento é iniciado antes mesmo de um diagnóstico definitivo.
Geralmente, vê-se a equipe de House enfurnada nos laboratórios, fazendo infinitos exames. Isso não condiz com a realidade, pois normalmente há equipes de laboratoristas especializados nas mais diversas áreas e raramente os solicitantes são os que realizam os exames (muito embora a Dra. Cameron seja imunologista). Na vida real, os diagnósticos de imagens (tomografias, ressonância magnética), por exemplo, são feitos por médicos e técnicos especialmente treinados para isso, muito embora o médico solicitante possa vir a acompanhar o procedimento, como seria o caso do Dr. Foreman que é neurologista.
Em mais de cem episódios da série, muitos exames e até mesmo tratamentos são tidos como instantâneos ou, quando conveniente, não são realizados por não haver tempo hábil devido à urgência. Há uso de exames complexos para casos simples, assim como de exames simples e inapropriados para casos complexos.
A equipe de enfermagem, parte importante da dinâmica hospitalar, é negligenciada na série. A equipe de House coleta sangue, toma a temperatura e a pressão sanguínea, leva os pacientes aos exames, passa a noite ao lado deles. Já quando um enfermeiro participa de algum procedimento, é como se ele fosse um completo leigo, um simples assistente, que não tivesse capacidade de ler os dados nos aparelhos. Na verdade, os profissionais de enfermagem, nos seus mais diversos níveis de formação e especialização, são peças fundamentais no acompanhamento dos quadros dos pacientes. Mas, na série, os médicos assumem os papéis dos profissionais de enfermagem, em todos os níveis.
No que diz respeito aos casos médicos, eles são em geral muito específicos e por vezes bizarros. O intrigante da série não é a possível veracidade ou não, mas sim o processo investigativo dos problemas. House parece sempre ter uma carta na manga. Um detalhe pequeno, como um formigamento no pé, uma frase dita por um familiar ou qualquer suspeita ou cisma levam-no ao diagnóstico correto. Eventualmente há casos de confusões nas prescrições de medicamentos ou na escolha de um procedimento em relação ao que se poderia optar na vida real. Mas, de modo geral, há bastante coerência e pertinência.
Alguns episódios mostram certas falhas. No episódio “Necropsia”, na segunda temporada, há uma suspeita de tumor cardíaco o suficientemente grande para causar diminuição na saturação de oxigênio, mas este não é detectado pelos exames realizados. Em “Herança de Família”, na terceira temporada, um homem, após sair de um coma de dez anos, rapidamente começa a falar, como se não houvesse qualquer problema com a musculatura, obviamente atrofiada.
Não obstante as falhas e erros que possa ter, a série “House” é com certeza uma boa pedida para quem gosta de drama, investigação e muito humor ácido.