O hip-hop moderno

Queen Latifa
Mathew Imaging/FilmMagic
Kayne West e Queen

Enquanto Grandmaster Flash and the Furious Five, Afrika Bambaataa e outros dos pioneiros do hip-hop começavam a chegar aos estúdios de gravação, nos anos 80, uma nova geração de artistas de hip-hop começava a surgir. Tanto “Rapture”, do grupo Blondie, quando “The Magnificent Seven”, do Clash, incorporaram elementos de hip-hop. O Run DMC combinou rap e hard rock. Artistas como LL Cool J, Whodini e Beastie Boys criaram música hip-hop bastante diversificada.

A indústria mudou, assim como o som. A Sugar Hill Records, primeira gravadora de hip-hop, desapareceu, mas surgiram a Def Jam Records e outros selos. Mulheres começaram a se destacar no rap, a exemplo de Salt-N-Pepa, Queen Latifah e MC Lyte, derrubando as barreiras sexuais, e isso facilitou o surgimento de novas estrelas do gênero, a exemplo de Mary J. Blige e Lauryn Hill. O nacionalismo negro ocupava posição central nas letras do Public Enemy. A paisagem sonora do hip-hop se expandiu para além de Nova York e da porção norte da costa leste para a costa oeste. Em 1988, o hip-hop chegou à TV - ou à MTV - com o programa "Yo! MTV Raps”. Cerca de um ano mais tarde, havia rap o dia inteiro na programação do canal.

Artistas como Schoolly D, Ice T, N.W.A. e Snoop Doggy Dog (agora apenas Snoop Dog) trouxeram o gangsta rap ao cenário. À medida que o gênero ganhava popularidade, a esperança original do hip-hop se perdia no ruído. O gangsta rap glorificava a violência das gangues, a pobreza e o insidioso comércio de drogas, em vez de denunciá-los. A misoginia dominava o gênero e as mulheres passaram a ser tratadas como objetos e a ser descritas como “cadelas e vadias”. Por exemplo, de acordo com “Gangsta, Gangsta”, sucesso do N. W. A, “a vida não é mais que vadias e dinheiro”.

Mas junto aos rappers do estilo gangsta havia artistas mais interessados em declarações sociopolíticas e no orgulho negro, enquanto outros queriam apenas fazer rimas divertidas e boa música para se dançar. Alguns dos artistas de hip-hop populares do período eram o Wu Tang Clan (seus membros Ghostface Killah, Masta Killa, Method Man, Ol' Dirty Bastard e RZA partiram, posteriormente, para carreira solo), Tupac Shakur (2Pac), N.W.A. (seus membros Eazy-E, Ice Cube e Dr. Dre, também acabaram se separando para seguir carreira solo), Warren G, Sir Mix-a-Lot, KRS-One, Cypress Hill e Mos Def.

Enquanto isso, outros subgêneros como rap progressivo, Miami bass, New Orleans bounce, snap music, rap-metal (ou rapcore) e crunk chegavam às paradas. Muitos deles não vinham da porção norte da costa leste e nem da costa oeste, mas sim do sul dos Estados Unidos. Talvez um dos primeiros grupos do sul a conquistar atenção mais ampla foi o 2 Live Crew. Outros artistas vindos do sul incluem os Geto Boys, Arrested Development, OutKast, David Banner, Ludacris, Mystikal, TLC, Timbaland, Lil John and the East Side Boyz, e Missy Elliot.

O hip-hop continua vibrante ainda hoje. Diversos artistas que encontraram seu espaço nos anos 80 e 90 continuam prolíficos, vendendo CDs e singles em companhia de artistas que apareceram no início do século 21, como Eminem, 50 Cent, Busta Rhymes, Juelz Santana, Akon e Nelly.

E a mensagem da música pode estar mudando mais uma vez - ou ao menos se expandindo para incluir mais do que o materialismo, a violência e a objetificação das mulheres. Darryl McDaniels (ex-integrante do Run-DMC) disse o seguinte em entrevista à revista “Time”: "A década que passou parecia hip-hop, mas na verdade era só armas, festas e mulheres. Isso é bom se você está em um clube à noite, mas da manhã até a hora em que me deito, essa música nada tinha a me dizer. Por isso, prefiro ouvir rock clássico".

Kanye West o levou a abandonar essa preferência pelo rock com a canção "Jesus Walks". Quando ouviu a canção pela primeira vez, conta McDaniels, ele pensou “essa canção é sobre tudo que existe! Parece tão viva!” [fonte: Tyrangiel].

Agora, veremos como o hip-hop inspirou o movimento.