O hip-hop e os grafites

Nota: os membros de gangues usam grafites para se comunicar com seus colegas de gangue e com outras pessoas, mas grafites também são criados por pessoas que não têm conexão alguma com gangues. Os grafites discutidos aqui são da variedade não relacionada a gangues.

Grafiteiro
Mat Szwajkos/Getty Images
Um grafiteiro pintando um mural em uma reprodução de fachada de vagão de metrô, na block party Getting Up, de Mark Ecko, no bairro de Chelsea, Nova York, em 24 de agosto de 2005

Os grafites - também conhecidos como escrita, tagging e arte em aerosol – são mensagens ou desenhos criados, em geral ilegalmente, em uma superfície pública. Alguns estudiosos os comparam a formas antigas de arte como os hieróglifos e a pintura rupestre. Em “A Natureza da Arte Paleolítica”, o paleobiólogo Dale Guthrie alega que, em meio aos melhores trabalhos de arte rupestre paleolíticos, há grafites - e muitos deles.

Os grafites associados ao movimento hip-hop provavelmente começaram a surgir da metade para o fim dos anos 60. A data exata é impossível de se determinar, mas a maioria das discussões aponta que foi um artigo do New York Times, publicado no dia 21 de julho de 1971, que deu destaque à prática pela primeira vez - "Taki 183 encontra correspondentes”. O artigo descreve Demetrius, um adolescente norte-americano de origem grega, conhecido como Taki, que usava uma caneta hidrocor para deixar sua assinatura, TAKI183, onde quer que fosse. Clive Campbell era um grande fã de TAKI 183 e de seu tagging. Como muitos outros adolescentes, ele começou a usar seus próprios grafites para competir com Taki.

O custo dos grafites


Equipes de limpeza especializadas em remover grafites operam em muitas cidades e condados dos Estados Unidos. Há informações de que, apenas no condado de Los Angeles, mais de cinco milhões de metros quadrados de grafites tiveram de ser removidos em 2006. O condado pagou US$ 32 milhões pelo trabalho [fonte: Abdollah].

Em uma medida proativa, a cidade de Montebello, Califórnia, está instalando 25 câmeras equipadas com tecnologia de identificação de grafiteiros. As câmeras usam sensores para detectar o som de uma lata de aerosol a até 25 metros de distância e alertar a polícia. O sistema custará US$ 1 milhão, mas como funcionários do governo municipal relatam custos anuais de US$ 700 mil com a remoção de grafites, a despesa deve ser recuperada em dois anos [fonte: Abdollah].

Ao longo dos 40 anos seguintes, os grafites evoluíram de simples assinaturas coloridas a murais imensos e multicoloridos que cobrem paredes e trens inteiros. E embora algumas pessoas considerem esses elaborados trabalhos como vandalismo, outras os vêem como arte. Depois que a proprietária Patti Astor foi apresentada a Fab 5 Freddy, a Fun Gallery, no East Village de Manhattan, tornou-se uma das primeiras galerias a expor grafites como arte [fonte: Ehrlich]. Desde então, grafites foram expostos em galerias de Milão, Londres e Paris.

Grafites globais

Com a ajuda da Internet, os grafites ganharam alcance global. Sites como Art Crimes (em inglês), @149st (em inglês), Aero (em inglês), Éiresol Style (em inglês) e muitos outros uniram os grafiteiros do mundo. A maioria dos sites inclui vastos arquivos de fotos e também blogs, vídeos, artigos, notícias e entrevistas.

No começo dos anos 80, os grafites ganharam elogios dos comerciantes de arte e do público das galerias, e também a atenção de produtores de cinema e de música. Capas de discos decoradas com grafites se tornaram comuns e eles passaram também a ser usados como fundos para a gravação de videoclipes. Um conhecido grafiteiro chamado HAZE criou capas para alguns dos primeiros discos dos Beastie Boys. Ele também trabalhou com discos de Tommy Boy e com o rapper Chuck D, do grupo Public Enemy [fonte: Austin].

Diversos estudiosos do hip-hop concordam que foi a partir daí que o movimento dos grafites se fundiu ao movimento hip-hop. Nas palavras de Jeff Chang, um desses estudiosos, “continua a existir um debate feroz, especialmente entre os grafiteiros mais velhos, para determinar se hip-hop e grafites são, de fato, uma coisa só. Mas assim que o hip-hop conheceu os grafites, em filmes como Wild Style e Style Wars, a história mudou”. Chang prossegue dizendo que, hoje, o hip-hop está vinculado aos grafites, em todas as áreas, do design gráfico à moda e à escultura [fonte: Ehrlich].

Agora que vimos o aspecto artístico do hip-hop, vamos investigar o seu som - começando por aquilo que fez de Kool Herc o fundador de um movimento cultural.