O portão de entrada: A&R

O departamento de A&R de uma gravadora é muitas vezes visto como o portão de entrada da empresa. Ele tem a importante missão de encontrar e zelar pelos talentos. Imagine qual seria a sua importância para a indústria fonográfica se você tivesse descoberto a Madonna (em inglês), o Aerosmith (em inglês) ou a Britney Spears (em inglês).

As estatísticas da indústria fonográfica

Anualmente:
  • cerca de 27 mil lançamentos chegam ao mercado;
  • as principais gravadoras lançam em torno de 7 mil novos CDs;
  • menos de 10% dos álbuns são rentáveis;
  • mais de 800 milhões de CDs são enviados às lojas.
Fonte: Recording Industry Association of America (RIAA)
A sigla A&R significa "Artista e Repertório", mas muitos músicos brincam dizendo que a sigla significa "Atitude e Rejeição". A menos que seja descoberto pelo pessoal de A&R, há poucas chances de um artista ter um contrato assinado com uma grande gravadora. No passado, os artistas mandavam fitas demo para os A&R, mesmo sem que fossem solicitadas, e os executivos as escutavam na esperança de encontrar o próximo grande talento. Com o passar do tempo, havia tantos artistas enviando fitas demo que se tornou impossível para o pessoal de A&R continuar seu trabalho. Por isso e por questões jurídicas, as gravadoras, com raras exceções, pararam de ouvir o material não solicitado. Muitas pessoas se perguntam como o pessoal de A&R encontra os talentos se é tão difícil uma demo chegar à mesa de um influente executivo de A&R.

Se você perguntasse ao pessoal de A&R, eles responderiam que estão sempre abarrotados de novos materiais, e que por isso eles raramente têm tempo de ouvir os inúmeros CDs demo que recebem de amigos, agentes, gerentes, advogados e outras fontes confiáveis. Com poucas pessoas atuando nesses departamentos e centenas de bandas e cantores aspirantes por aí, pode-se imaginar a dificuldade que é ingressar na indústria fonográfica.

A melhor maneira de descobrir qual o tipo de talento que o pessoal de A&R procura e a forma como eles o encontram consiste em adquirir amostras das opiniões de executivos de algumas das principais gravadoras. Por exemplo, Tim Devine (em inglês), da Columbia Records (em inglês), trabalhou no ramo por tempo suficiente para conhecer muitas pessoas. Ele olha primeiro os CDs demo que lhe são fornecidos pelas empresas mais confiáveis e trabalha a partir dessa descoberta. Outros executivos, como Max Gousse (em inglês), da Epic Records (em inglês), examinam se há lacunas no mercado da indústria fonográfica. Talvez Gousse procure um gênero de artista que, segundo sua percepção, esteja produzindo um tipo de música diferente do que está nas lojas. Para ler mais sobre como os executivos de A&R encontram talentos, confira "Record Label 101" no Record Labels and Companies Guide (em inglês), um guia de empresas e gravadoras.

Também é importante lembrar que quando os executivos de A&R descobrem e promovem determinado artista, estão colocando em jogo o próprio nome. Se o artista não fizer sucesso, o seu emprego pode estar sob ameaça. À medida que se esclarece esse aspecto da indústria fonográfica, é possível perceber a dificuldade para uma banda alcançar o sucesso sem o contrato de uma gravadora. No entanto, enquanto muitas bandas são recusadas, algumas ainda chegam ao estrelato por meio dos A&R. Quando uma gravadora descobre um artista, toda a máquina inicia o trabalho de produção, promoção, marketing, distribuição e venda dos álbuns.