Introdução


rock gótico e emocore

Uma canção de amor angustiante. Cantada sobre um som pesado e acelerado, quase punk. Escrita e interpretada por um depressivo jovem de 23 anos que se suicidaria logo a seguir. Receita para uma canção virar um clássico e um artista suicida, um mito da cultura pop. Muitos dos fãs do emocore sequer tinham nascido quando isso aconteceu no final dos anos 70. Mas, não é por acaso que o Fall Out Boy, um dos expoentes do universo emo, fez uma versão de “Love Will Tear Us Apart”, do Joy Division. Trata-se de um tributo a uma percepção do mundo compartilhada há décadas por uma parcela da juventude.

Siouxsie and The Banshees 1
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Siouxsie and The Banshees foi uma das pioneiras
e mais importantes representantes do rock gótico

Tristezas, rejeições, solidão e melancolias juvenis rendem boas canções desde, pelo menos, os anos 50 quando a adolescência emergiu como um fenômeno cultural. Além disso, as angustias dos jovens têm inspirado estéticas e comportamentos tão antagônicos como o rock progressivo e o punk. Mas uma visão de que a vida é sofrimento e desilusão tem dado continuamente o tom do comportamento e do gosto de parte dos jovens desde o final da década de 70. Uma das vertentes que refletiu esses sentimentos foi o rock gótico, um movimento composto por músicas e atitudes sombrias, mas também ultra-românticas, que surgiu na onda do pós-punk e teve seu auge nos anos 80.

Bauhaus banda
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O grupo de rock gótico Bauhaus: canções com temas sombrios,
influências do punk e efeitos eletrônicos

Outra variação dessa percepção do mundo é o emocore. O universo jovem ganhou novos elementos desde o advento do punk e do gótico. A Internet passou a ter um peso importante nos relacionamentos e na cultura jovem. As relações familiares e na escola mudaram. Para aquela parcela da juventude que compartilha uma visão que une pessimismo e ultra-romantismo, o emocore foi uma das respostas. As letras das canções são melancólicas e lúgubres, ao tratarem de temas sombrios, fúnebres e profundamente tristes. Sua sonoridade é uma versão suavizada do punk. O visual procura expressar o sentimentalismo exacerbado e toda a tristeza que sentem. De repente, ser emo virou uma identidade para parte da juventude, que adotou como trilha as canções de bandas como My Chemical Romance, Fall Out Boy, Panic! at the Disco, Funeral for a Friend e NX Zero.

My Chemichal Romance
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O grupo My Chemical Romance não concorda em ser classificado como emocore, mas é um dos maiores sucessos entre os emos

A novidade do emocore não está totalmente na sua estética, já que em muito ela é uma atualização de subculturas anteriores, como a dos góticos. Mesmo a polêmica questão dos casos de suicídios de fãs não é nem uma novidade nem uma exclusividade desta subcultura. Uma das novidades do fenômeno é que ele se propagou pela Internet, feito por e para uma geração que cresceu se relacionando através da rede mundial de computadores.

Siouxsie e banda
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As influências do pós-punk de Siouxsie and The Banshees extrapolaram os anos 80 e fizeram do rock gótico uma das subculturas mais duradouras

Nas páginas a seguir, saiba mais sobre essas duas vertentes do pós-punk: o rock gótico e o emocore. Entenda desde suas origens artísticas até a constituição delas como bem-sucedidos movimentos culturais jovens.