O que James Bond faria? Equipamentos de espiões reais

Autor: 
Ed Grabianowski

Embora alguns dos equipamentos sonhados por Q sejam claramente ficção, existem algumas similaridades entre os equipamentos de James Bond e os equipamentos reais de espionagem. A principal diferença entre 007 e um agente secreto real é sua abordagem em suas missões. Os espiões do mundo real estão voltados para o roubo e coleta de informações. Raramente eles são utilizados como assassinos, mesmo nessas ocasiões eles utilizam subterfúgios para completar sua missão mortal em silêncio. Então, qualquer coisa que James Bond utilize que lança mísseis, usa ácido, possui armas escondidas, lança com grande velocidade ou simplesmente explode, provavelmente não existe na vida real.

A única exceção é sua arma. A Walther PPK é, na verdade, a preferida em operações secretas mesmo nos dias de hoje. Originalmente projetada para utilização com roupas civis pela polícia da Alemanha Oriental, Fleming substituiu a Beretta de pequeno calibre de Bond pela Walther e por uma Smith & Wesson .38 devido a um pedido de Geoffrey Boothroyd. Boothroyd era um especialista em armas e fã de Bond que escreveu para Fleming em 1956 para recomendar a utilização de armas mais adequadas. Fleming honrou Boothroyd dando seu nome ao personagem Q.

Pistola Walther PPK
Imagem cedida por Bob Adams/Armas de Adams
A pistola Walther PPK foi muito usada por James Bond bem como pelos agentes secretos reais

Os agentes secretos reais geralmente preferem pistolas de pequeno calibre, pois são mais fáceis de ocultar. Entretanto, em situações onde é necessário um poder de fogo, amplitude ou precisão maiores, existem rifles especiais ou metralhadoras que podem ser dobradas ou desmontadas em componentes pequenos que são fáceis de esconder. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi fornecida a submetralhadora British Sten aos membros da resistência francesa e a outros espiões aliados - ela podia ser dividida em três peças para ser escondida. As armas também podem possuir silenciadores, cilindros de metal que abafam a rápida expansão de gases e reduzem muito o som que uma arma faz ao ser disparada. Outra forma de arma silenciosa é a besta. Estas armas eliminam a necessidade de contrabandear balas e não produzem nenhum brilho ao serem disparadas.

Os espiões utilizaram armas de um único tiro ocultas ao estilo Bond, disfarçadas em objetos comuns. Uma pequena pistola que cabe em uma fivela de cinto, um cigarro que pode disparar um projétil redondo calibre .22 quando um fio é puxado pelos dentes do atirador, uma caneta-arma de um tiro e um coldre de punho que pode disparar com um movimento do braço, já foram todos utilizados. As armas também foram escondidas em lanternas, luvas, cachimbos, lápis, tubos de pasta de dentes e jornais enrolados.

Dois dos dispositivos de assassinato mais surpreendentes do mundo real foram escondidos em um maço de cigarros e em um guarda-chuva. O maço de cigarros deveria ser oferecido à vítima perto de seu rosto, de modo que ela retirasse o cigarro com os dentes. Nesse momento, ele seria disparado, ejetando uma nuvem de vapor de cianureto em seu rosto, matando-a rapidamente e praticamente sem evidências. O assassino mudou de idéia, avisou seu alvo e desertou.

Câmera Minox
Imagem cedida pela CIA
O engenheiro letão Walter Zapp criou uma câmara miniaturizada portátil, que pode tirar fotos espontâneas de alta qualidade. A câmara miniaturizada Minox, em seus diversos modelos, foi a câmara de espionagem mais utilizada durante 50 anos.

Uma trama de assassinato mais bem-sucedida utilizou um guarda-chuva contendo um mecanismo de disparo pneumático e um pequeno projétil contendo veneno. O alvo foi o dissidente búlgaro Georgi Markov. O assassino atirou em Markov com o projétil enquanto ele estava em uma ponte, o incidente foi tomado como um esbarrão acidental com um guarda-chuva pontiagudo. Markov ficou doente e morreu dias depois.


Foto cedida pela CIA
Câmara miniaturizada

Foto cedida pela CIA
Um dólar de prata oco para esconder filmes e outros documentos secretos

O hábito de Q de esconder itens úteis (geralmente explosivos) em objetos comuns reflete-se nas atividades dos espiões reais, embora as armas ocultas sejam bem mais raras que aquelas com conceitos mais práticos. Os espiões escondem e contrabandeiam câmaras de modo a poder registrar informações vitais, e eles escondem essas informações para transportá-las a seus superiores. A câmara letã Minox continua sendo um equipamento indispensável mesmo 50 anos após sua fabricação. A câmara é tão pequena que pode ser escondida na palma de sua mão. Muitos espiões utilizaram câmaras miniaturizadas, um dispositivo do tamanho de um dedal que era fácil de esconder. Ela produzia imagens muito pequenas que necessitavam de lentes de aumento para serem lidas. Os dispositivos fotográficos eram escondidos em estátuas da madeira, tabuleiros de xadrez e outros objetos.

As informações, especialmente na forma de imagens miniaturizadas, poderiam ser escondidas virtualmente em qualquer local. O filme era escondido dentro de moedas falsas, pilhas falsas com a parte interna oca (com uma pilha real funcionando dentro), pincéis para barbear, cigarros, saltos de sapatos, cinzeiros, parafusos e unhas e até mesmo em um olho falso. Em muitos casos, estes itens possuíam um mecanismo que liberaria uma pequena quantidade de ácido se fosse aberto de modo inadequado. O ácido destruiria o filme, fazendo com que o espião não fosse descoberto caso fosse feita uma revista completa por agentes inimigos desconfiados.

Uma coisa que os agentes secretos reais não usam é um carro que chame a atenção. A última coisa que um espião deseja é chamar a atenção para si. O carro utilizado em uma missão será um carro comum que com certeza não conterá disparadores de mísseis, recipientes com cortina de fumaça ou terá a capacidade de se transformar em um submarino. No máximo, o carro de um espião real poderá conter compartimentos secretos para esconder informações.