Introdução

Os filmes de espionagem, como os de James Bond, estão repletos de equipamentos especiais como armas embutidas em batons, calotas com lasers, veículos turbinados sobre colchões de ar, cigarros com cianureto, lançadores de mísseis e rádios lançadores de foguetes. Porém, quais destas incríveis ferramentas existem no mundo real e quais existem apenas na ficção dos filmes de espionagem, como 007? Você pode se surpreender. Neste artigo, veremos os equipamentos utilizados por James Bond e aprenderemos mais sobre as ferramentas que os agentes secretos reais utilizaram para colher informações, eliminar rivais e evitar que sejam descobertos.

Seção Q
Nos filmes de James Bond (e, portanto, nas novelas de Bond Ian Fleming), o Agente 007 recebe todas as suas armas e equipamentos, incluindo vários dispositivos e veículos, da seção Q. A seção Q é o ramo de pesquisa e desenvolvimento do MI6, a agência de espionagem britânica semifictícia que emprega Bond. Q significa "intendente" e o chefe do departamento usa o codinome Q, embora o nome real original de Q fosse major Boothroyd. Durante muitos anos, o papel de Q foi representado por Desmond Llewelyn nos filmes de Bond. Quando Llewelyn morreu, em 1999, o antigo assistente de Q, R, recebeu uma promoção.

Em quase todos os filmes, uma das primeiras cenas mostra Bond reunindo-se com Q para revisar os procedimentos para utilizar o último lote de equipamentos que podem ser utilizados como armas. Dependendo do filme em questão, esses dispositivos podem ser estranhos, envolvendo lasers, foguetes, aviões teleguiados e veículos totalmente fantásticos. As novelas de Fleming possuem uma visão mais realista da espionagem mundial. Q tem algumas aparições rápidas e sua função é, geralmente, fornecer a Bond as armas adequadas para cada missão. Os equipamentos são raros.

Q, James Bond e uma Bond Girl embalando equipamentos em uma mala em '007: Licença para matar'
Imagem cedida por DANJAQ/EON/UA/The Kobal Collection
Bond (Timothy Dalton) encontra-se com Q (Desmond Llewelyn) para receber sua maleta repleta de equipamentos em "007: Licença para matar". Os equipamentos deste filme incluem uma câmara que dispara um laser mortal de seu flash e uma "arma com assinatura" que Q programou para ser utilizada somente por Bond.

No final das contas, os equipamentos tornaram-se parte da fórmula de sucesso dos filmes. Eles preenchem o dispositivo literário conhecido como "arma de Checkhov". Um item, personagem ou local é introduzido no início da história e então é totalmente esquecido. Mais tarde durante a história, geralmente em uma cena de clímax, este item será exatamente o necessário para derrotar o vilão ou completar a missão. A terminologia é atribuída ao autor e dramaturgo russo Anton Chekhov, que supostamente escreveu uma cena de uma peça, "Não coloque um rifle na parede a menos que ele vá ser disparado". Um exemplo perfeito nos filmes de Bond é o "Wet Nellie", um carro esportivo Lotus Esprit totalmente submersível fornecido por Q em "007: o espião que me amava". Mais tarde, Bond deve utilizar as habilidades submersíveis para infiltrar-se no quartel-general aquático do vilão. O dispositivo vital similar está presente em quase todos os filmes.

Alguns outros equipamentos clássicos de Bond (e os filmes em que apareceram):

  • uma caneta cheia de ácido para dissolver metal, que incluía também um rádio transmissor, como visto em "007 contra Octopussy"
  • uma maleta com compartimentos escondidos contendo munição, uma faca, moedas de ouro e uma embalagem de talco que liberava gás lacrimogêneo, em "Moscou contra 007"
  • um cigarro que disparava um pequeno foguete, em "Com 007 só se vive duas vezes"
  • um chaveiro com uma chave-mestra e um dispositivo que podia liberar um gás que causava sonolência ou uma carga explosiva, dependendo de como Bond assobiava, em "007 marcado para a morte"

    Um telefone celular utilizado para causar um curto-circuito em uma trava em 'O amanhã nunca morre'
    Imagem cedida por DANJAQ/EON/UA/The Kobal Collection
    Bond pode fazer muito mais que falar neste telefone celular em "O amanhã nunca morre"

  • um telefone celular com um software que pode arrombar travas eletrônicas e emitir um choque elétrico de 12.000 volts, em "O amanhã nunca morre"
  • um cartão de crédito contendo uma chave escondida para arrombar travas e óculos de raios-X, em "007 o mundo não é o bastante"
  • uma caneta que na verdade era uma granada em "007 contra Goldeneye"

Bond e Q: uma relação de amor e ódio
James Bond e Q sempre tiveram um relacionamento difícil. Bond é sempre muito impaciente para esperar pelas instruções detalhadas de Q sobre seus dispositivos e Q está sempre tentando fazer Bond prestar atenção em suas instruções. Outra fonte de irritação para Q é o hábito de Bond de danificar ou destruir os equipamentos que Q trabalhou tanto para criar. Entretanto, Q tem um sentimento paternal por Bond e está sempre querendo ajudá-lo. Em "007 licença para matar", Q vai a campo para ajudar Bond mesmo o agente não fazendo mais parte do MI6 naquele momento.