Os vinhos de corte não têm designação de um único tipo varietal. Alguns dos melhores vinhos do mundo, os de Bordeaux e os do Vale do Rhône, na França, por exemplo, estão nesta categoria. Em alguns casos o rótulo inclui os componentes varietais e às vezes fornece o exato percentual de cada um. É uma prática freqüente no Novo Mundo.
A prática da mistura de diferentes varietais para criar um estilo de vinho é antiga. Os vinicultores, através dos séculos, já tinham conhecimento das elaboradas técnicas de mistura que resultavam em complexos vinhos e mostravam que o todo é muito melhor que a soma de suas partes. Bordeaux e Rhône tradicionalmente produziam esses modelos de vinhos de corte. Entretanto, os vinicultores modernos geraram conceitos inovadores para atrair os amantes do vinho para algo novo e emocionante.
Estilo Bordeaux
Por tradição e hoje pela regulamentação, os vinhos Bordeaux só podem ser feitos a partir de certas variedades específicas de uvas. Para vinhos tintos, isto significa Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Malbec e Petit Verdot. Na verdade, nenhum produtor usa um tipo; alguns usam os cinco tipos. Para os brancos, Sauvignon, Semillon e Muscadelle estão especificados, e pelo menos dois tipos são sempre usados.
2006 Publications International Ltd. Os vinhos de corte são criados através da combinação de diferentes varietais
Os vinicultores em outros países têm usado esses dois modelos para competir no sucesso dos vinhos Bordeaux. No Brasil, por exemplo, um varietal deve conter pelo menos 75% da uva varietal no rótulo. Os fabricantes que pretendem produzir vinho onde os componentes não alcançam este percentual criam a sua mistura paralelamente aos Bordeaux. A maior parte desses vinhos traz uma marca fantasia que a vinícola usa com exclusividade.
Estilo Rhône
É uma mistura de tinto, similar em conceito à mistura Bordeaux, mas as variedades de uvas pertencem ao vale do Rhône, particularmente à região sul, uma área vinícola conhecida como Châteauneuf-du-Pape. Chega-se a usar 13 tipos de uvas, incluindo Grenache, Mourvêdre, Carignan, Cinsaut, Syrah, bem como dois tipos de uvas brancas, coo a Viognier.
Misturas da Nova Era
Usando qualquer combinação de variedades que lhes atraem, os modernos vinicultores estão criando alguns exuberantes vinhos que ultrapassam quaisquer misturas tradicionais que abordamos acima. Eles podem combinar um Cabernet Sauvignon com um Syrah, por exemplo. Não existem regras, e vale tudo!
Vinhos chamados de supertoscanos não são misturas tradicionais, e os varietais da Toscana, Itália, representam a criatividade e energia de uma nova geração de vinicultores. Eles são, na sua maioria, melhores que os vinhos tradicionais da região, como o Chianti Classico, Vino Nobile di Montepulciano e Brunello di Montalcino. Muitos supertoscanos são feitos de varietais Bordeaux, como o Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah. Outros misturam os tradicionais da região, como a Sangiovese com Cabernet ou Merlot. Exemplos incluem o puro Cabernet Sauvignon da Col d'Orcia que nomearam Omaia, bem como a mistura Sangiovese chamada Camartino da Agricola Querciabella. O rótulo não mostra o termo supertoscano.
2006 Publications International, Ltd. Duas ou mais variedades de uvas são usadas para criar o Champagne e outros espumantes
Champagne/espumantes
Quase sempre duas ou mais variedades de uvas são usadas para criar vinhos espumantes. Para o Champagne francês as variedades usadas são o Pinot Noir, Chardonnay e o Pinot Meunier, exclusivamente.
Em outros países, os produtores de vinhos espumantes no estilo do Champagne usam as mesmas variedades.
Entretanto, quando o vinho é rotulado "blanc de blancs" significa que é um vinho branco de uvas brancas. Apenas a Chardonnay é usada para fazer esse espumante.
Já fizemos alusão a algumas informações que você pode obter em um rótulo, tais como o percentual do varietal num vinho de corte. Na próxima seção, falaremos sobre como decodificar um rótulo e como isso ajudará você a levar a garrafa certa.
Para citar corretamente este artigo do HowStuffWorks por favor copie e cole o texto abaixo:
Steve Pitcher. "HowStuffWorks - Fundamentos do vinho". Publicado em 22 de maio de 2006 (atualizado em 25 de abril de 2008) http://lazer.hsw.uol.com.br/fundamentos-do-vinho3.htm (26 de novembro de 2009)