por
Steve Pitcher - traduzido por HowStuffWorks Brasil
Vinhos tintos
Os vinhos tintos são produzidos a partir das uvas tintas, mas na verdade eles ganham a cor das cascas que são usadas no processo de fermentação. O vinho branco, por outro lado, se origina de todas as variedades de uvas porque o mosto é quase sempre transparente.
Cabernet Franc
Um dos principais varietais de Bordeaux, o Cabernet Franc é similar ao Cabernet Sauvignon, mas não tão distinto. Mesmo sendo rotulado como um varietal, esse vinho é mais usado para as misturas; ele acrescenta um pouco das frutas vermelhas, um toque floral de violeta e ligeiramente herbáceo. Entretanto, quando bem cuidado no vinhedo e tratado com respeito pelo vinicultor, pode tornar-se um excelente vinho. Já foi a uva vinífera mais importante no Brasil, mas perdeu espaço para a Cabernet Sauvignon e a Merlot.
 2006 Publications International Ltd. O aroma de cerejas é freqüentemente descrito como presente no vinho de Cabernet Sauvignon e Merlot
|
No Vale do Loire da França, o Cabernet Franc se transforma em um vinho mais leve chamado Chinon. Em Bordeaux, é um confiável componente para mistura, alcançando a excelência quando combinado com o Merlot, como no Château Cheval Blanc (St. Émilion).
Cabernet Sauvignon
Mais conhecido vinho tinto, o Cabernet Sauvignon é elaborado nas viniculturas de todo o mundo e mostra uma certa semelhança, qualquer que seja o seu local de origem, não obstantes as pequenas nuances devido à variação do solo, clima e outras condições de crescimento. Os aromas e sabores clássicos desse vinho lembram a groselha preta, às vezes chamada de cassis, framboesa preta, ameixa e cereja escura. O Cabernet Sauvignon pode evidenciar qualidades herbáceas e até de ervas secas (aniz e sálvia) e ervas verdes (folhas de oliveira e pimentões) junto com hortelã e cedro; os barris de carvalho usados para o envelhecimento podem transferir leves toques de especiaria e de baunilha.
O Cabernet Sauvignon jovem é geralmente um vinho maduro e poderoso, um tanto áspero e adstringente por seu tanino: componente químico que vem da casca da uva e das sementes quando esmagadas para a produção do vinho. Graças a estes taninos, o Cabernet pode ser envelhecido por muitos anos, desenvolvendo uma textura mais suave, maior complexidade e maturação, elegância e graça com o tempo. Os vinicultores podem e com freqüência empregam técnicas para fazer seus Cabernets menos adstringentes para muitos consumidores que apreciam um jovem e robusto vinho frutal.
Na França, o Cabernet Sauvignon é o principal componente dos vinhos tintos de Bordeaux, onde é habitualmente misturado com outros clássicos varietais, notavelmente o Cabernet Franc e o Merlot. Estes vinhos não são rotulados como varietais, mas trazem o nome da vinícola, como por exemplo Château Margaux ou Château Haut-Brion, e a região específica dessa cultura de onde vieram as uvas - como Graves, Pauillac, St. Estephe ou St. Julien.
O Cabernet Sauvignon se adaptou maravilhosamente bem ao Novo Mundo, gerando grandes vinhos nos EUA, Chile, Argentina, Austrália e Brasil, entre outros.
Merlot
Encontrado em qualquer cultura do Cabernet Sauvignon, o Merlot é um dos clássicos Bordeaux varietais. Embora o vinho lembre o Cabernet, ele é mais macio, com agradáveis sabores frutais doces - evocando groselha preta e cereja, tanto a preta como a vermelha. Também apresenta menos adstringência de tanino quando jovem. A marca registrada de um bom Merlot é a sua textura rica e macia.
Em Bordeaux, o Merlot é combinado com outros vinhos da região para harmonizar algumas das qualidades ásperas e tânicas do Cabernet Sauvignon. É componente mais importante dos vinhos das regiões de Pomerol e St. Èmilion. O Merlot pode ser encontrado sob rótulo varietal nos vinhos da região sul da França, tais como o Languedoc-Roussillon.
A Merlot é a vinífera tinta que mais bem se adaptou ao clima da Serra Gaúcha e é responsável por alguns dos melhores tintos brasileiros.
Nebbiolo
Considerada nobre pelos italianos, a Nebbiolo é a variedade de uvas usadas para fazer Barolo e Barbaresco. São vinhos poderosos, surpreendentes, de vida longa. Seu nome vem de duas regiões produtoras do Piemonte no noroeste da Itália. Os vinhos procedentes de Nebbiolo se caracterizam por uma cor profunda que se aproxima do preto, altos taninos e acidez, aromas e sabores de groselha preta e amora silvestre, toques florais de violeta e pétalas de rosa, especiarias exóticas como o aniz estrela; são muito encorpados e possuem fina concentração de sabor. Normalmente são produzidos em pequenas quantidades e por isso são caros. Os nomes associados com o melhor desses vinhos inclui Antinori, Ceretto, Angelo Gaja, Pio Cesere, Albino Rocca e Luciano Sandrone.
Petite Sirah
 2006 Publications International Ltd. Vinho Petite Sirah é produzido quase exclusivamente na Califórnia
|
Produzido quase exclusivamente na Califórnia, é um vinho tinto claro, tânico, com sabor e fragrâncias de amora preta, mirtilo (blueberry), cravo, canela e com freqüência pimenta do reino. Às vezes chamado de Durif (que é o verdadeiro nome da uva), o Petite Sirah não deve ser confundido com o Syrah, que é um parente distante que produz vinhos bem mais refinados.
Pinot Noir
Aproximando-se do Cabernet Sauvignon como um dos maiores vinhos tintos do mundo, o Pinot Noir é produzido em quantidades bem menores porque a uva necessita de condições perfeitas para produzir um vinho excelente. O Pinot Noir alcança os níveis perfeitos nas regiões de Borgonha na França, onde é rotulado pelo nome da região produtora (assim como os Nuits-St. Georges, Vosne-Romanee, Chambolle-Musigny, Pommard ou Gevrey-Chambertin) pelo nome do produtor e da vinicultura específica. O melhor desses vinhos também terá a designação de sua qualidade "premier cru" (ou "1er cru") ou "grand cru" no seu rótulo.
O Pinot Noir clássico é um vinho sedoso, macio, cheio, suave. O sabor de framboesa, cereja vermelha ou preta, ameixa, amora silvestre, cassis e especiarias combina maravilhosamente com as fragrâncias acentuadas de rosas secas, cola e às vezes com uma nuance terrosa e de cogumelos. As condições da vinicultura e a sua localização são fatores de grande impacto na produção do Pinot Noir, maior até que em qualquer outro tipo de vinho tinto.
O melhor tinto borgonhês é muito caro e raro e a sua qualidade depende muito da safra. Os mais célebres produtores são Bouchard, de Vogue, Bruno Clair, Domaine de la Romanee-Conti, Domaine Dujac, Faiveley, Robert Groffier, Louis Jadot, Louis Latour, Domaine Dominique Laurent, Leroy, Meo-Camuzet, Denis Mortet, Mommessin e Daniel Rion.
Exemplares finos de Pinot Noir também podem ser encontrados na Califórnia, Oregon e em menor escala na Austrália.
Sangiovese
Essa é a principal variedade de uva usada na fabricação do italiano Chianti, bem como as versões chamadas Chianti Classico, Chianti Classico Reserva, Vino Nobile di Montepulciano e Brunello di Montalcino, todos da Toscana, no centro da Itália. Fora da Itália, o Sangiovese pode ser rotulado como varietal.
O vinho oferece uma qualidade frutal, espumante, com sabor de cereja insinuando aromas de rosas secas ou violetas, acidez relativamente alta e firmes taninos.
Vinhos exemplares baseados na Sangiovese vêm dos produtores italianos como Antinori, Castello de Brolio, Castello Banfi, Fontodi, Frescobaldi, Lanciola, Le Corti e Nozzole.
Syrah
Esse varietal é usado para produzir magníficos vinhos do Vale do Rhône, no norte da França, onde são rotulados não pela variedade da uva, mas pela região e produtor. Cotes-Rotie, Hermitage, Crozes-Hermitage, Cornas e St. Joseph são considerados os exemplos de primeira linha desse varietal. Na região sul do Rhone, o Syrah é misturado com até 12 varietais para criar o vinho Châteauneuf-du-Pape, que é o nome da região.
A marca registrada de um bom Syrah varietal é a sua profunda cor escura com atraentes e distintos aromas de amora preta, cereja preta, ameixa, pimenta do reino, cravo e canela, violetas, chocolate amargo, alcatrão e alcaçuz. Os sabores ricos e generosos devem corresponder aos aromas. Este vinho tem corpo mais suave e redondo que a maioria dos vinhos tintos; uma textura suave, maleável e nenhum dos taninos ásperos encontrados nos muitos Cabernet Sauvignon jovens, embora os taninos estejam maduros e jovens.
Os produtores de Syrah no norte do Rhône incluem Paul Jaboulet Aine, Chapoutier, Bernard Chave, Jean-Luc Colombo, Delas Frres, Domaine Courbis, Domaine du Colombier, Domaine Desmeure, Pierre Gaillard, E. Guigal, Gentaz-Dervieux, Robert Jasmin, Ren Rostaing e Sorrel.
Shiraz
A Shiraz é exatamente a mesma uva que a Syrah - o nome diferente é adotada na Austrália, É o vinho mais famoso desse país e também da África do Sul, onde diversos produtores têm tido sucesso: Helderberg, Rust en Vrede, Slaley, Spice Route e Waterford. Alguns Syrah dos EUA, Chile, Brasil e Argentina também são rotulados como Shiraz. Na antiga Pérsia, hoje Irã, havia uma cidade com esse nome, onde se originaram essas uvas. Entre os respeitáveis fabricantes australianos estão Jim Barry, Grant Burge, Chateau Reynella, Coriole, d'Arenberg, Elderton, Hardy's, Henschke, Jasper Hill, Peter Lehmann, Mount Langhi Ghiran, Penfolds, Rosemount, St. Hallett e Yalumba.
 2006 Publications International Ltd. Shiraz está presente na Austrália e África do Sul
|
Zinfandel
A Califórnia reivindica essa variedade de uva e produz praticamente todo o Zinfandel que encontramos. Diferentemente de outras variedades de uva da Califórnia cuja história é bem documentada, ninguém pode dizer ao certo onde o Zinfandel se originou. Bem apropriado às regiões da Califórnia, é adequado para vários estilos de vinho, a maioria com um elemento de especiaria.
O seu perfil como básico varietal oferece aromas e sabores de frutas vermelhas da Europa, dentre elas a cereja, quase sempre uma especiaria, muitas vezes a pimenta do reino ou cravo e canela e uma viva acidez. Num estilo de clarete bem comportado, o Zinfandel possui taninos, uma suave textura e várias sombras de carvalho vindas dos barris usados para o envelhecimento; são perfumes que lembram o côco quando usados os carvalhos americanos, e a baunilha quando usados os carvalhos franceses. No seu estilo autêntico, o Zinfandel apresenta ingredientes como as exuberantes frutas vermelhas e outros mais intensos como a pimenta, as especiarias e o carvalho. Bem encorpado, o Zinfandel é feito de uvas muito maduras e é intensamente enriquecido com tanino. De colheita tardia, também é do estilo dos vinhos do Porto; estes são encorpados com uvas e taninos adstringentes e são bem apimentados e com alto teor alcoólico.
Confira o nível de álcool no rótulo para determinar qual o tipo do vinho. Geralmente quanto mais alto é o teor do álcool, melhor é o estilo. O estilo clarete fica entre 12,5 e 13,5%; o médio-alto está entre 13,6 e 14,8% e o muito encorpado está entre 14,9 e 15,9%; o vinho de uma colheita tardia tem aproximadamente 16% ou mais.
Os produtores responsáveis por excelentes Zinfandel incluem Robert Biale, Cline Cellars, De Loach, Edmeades, Fife, Folie a Deux, Gallo-Sonoma, Greenwood Ridge, Hartford Court, Haywood, Hendry, Kenwood, Limerick Lane, Pezzi-King, Rancho Zabaco, Ravenswood, Ridge, Rosenblum, St. Francis e Seghesio.
Como você provavelmente já percebeu pelas nossas descrições, muitos desses vinhos são combinados entre si para criar diferentes sabores e texturas. Na próxima seção, vamos explorar os vinhos de corte.