Na década de 50, os cineastas começaram a desenvolver técnicas para ampliar a relação entre altura e largura de seus filmes. O primeiro motivo foi o aumento da popularidade da televisão. Para fazer com que as pessoas continuassem indo ao cinema, Hollywood tinha que lhes dar uma diversão que não poderiam encontrar em casa. Começaram a fazer filmes cada vez mais largos, apresentando uma cinematografia panorâmica espetacular. A principal vantagem que os cinemas ofereciam em relação aos aparelhos de televisão era essa capacidade de imergir seu público no mundo do filme. A melhor forma de se fazer isso era preenchendo mais do que o campo de visão natural de um telespectador (que tem mais largura do que altura porque nossos olhos estão posicionados lado a lado).
Junto à grandeza e possibilidade de imersão das tomadas panorâmicas de paisagem, a maior proporção de largura permite maior composição artística. Se você for a um museu de arte, a maioria das pinturas que verá são significativamente mais largas do que altas, em "forma de paisagem", ou significativamente mais altas do que largas, em "forma de retrato". Isso acontece porque uma tela de forma retangular permite ao artista equilibrar os elementos da pintura de modo mais efetivo, criando uma sensação de harmonia visual. Com os filmes, ocorre o mesmo: um diretor ou cineasta pode compor tomadas muito mais agradáveis aos olhos quando usa uma proporção maior de largura sobre altura. A forma de uma tela de televisão, que é mais quadrada, limita as possibilidades de composições visuais interessantes.