Rico em polifenóis - substância que alarga os vasos sanguíneos, aliviando a pressão cardíaca e cerebral - o champanhe não precisa ficar limitado às versões mais caras. ![]() |
Champanhe, ou champanha, é o nome em português para o vinho produzido na região centro-nordeste da França, famoso por sua efervescência. Designa também, em termos genéricos, toda espécie de vinho espumante, aqueles que contêm dióxido gás carbônico.
Esta acepção, apesar de dicionarizada no Brasil, está em desuso, devido a acordos internacionais - patrocinados pela OIV, entidade internacional que regula a produção e comercialização de vinhos, e dos quais o Brasil é signatário - que impedem denominar de Champagne qualquer outro vinho que não aquele produzido na região francesa que origina o nome. A mesma restrição ocorre também com outros tipos de bebida, restringindo o uso de denominações como Vinho do Porto (uma exclusividade portuguesa) e o Cognac (outra prerrogativa francesa).
De qualquer modo, o Champagne, assim, no masculino, como pronunciam os especialistas, é o vinho espumante mais famoso, mais admirado e mais imitado até hoje.
O vinho espumante, naturalmente, é o vinho que tem dióxido de carbono dissolvido no líquido, mantido sob pressão dentro da garrafa. Quando a rolha é sacada, o gás carbônico se liberta sob a forma de pequenas bolhas, inicialmente efusivas, formando a mousse, ou espuma, e depois gradativas e constantes, formando a pérlage (colar de pérolas, em francês), uma fieira de bolhas que se desprende de algum ponto do copo, geralmente do fundo ou das paredes. Uma minúscula irregularidade do vidro ou sujeira, mesmo microscópica, pode desencadear uma farta pérlage.O vinho espumante é tradicionalmente associado a duas situações: às festas e comemorações, em que o estouro da rolha e a explosão de espuma que se segue é fartamente simbólica; e ao luxo e savoir-vivre. De fato, desde que foi adotado pelas cortes russas como bebida imperial - ao lado do caviar - e, mais tarde, consumido nas casas mais movimentadas da belle-époque, o vinho de Champagne revestiu-se de uma aura de glamour e sofisticação.
O espumante pode ser branco, pode ser rosado e até tinto. Pode ser doce, meio doce, meio-seco e muito seco - e sua acidez, em geral elevada para emprestar-lhe frescor, também é bastante variável. Pode ter de 5,5% a pouco mais de 12% de álcool. Além de todas essas variáveis, a quantidade de gás carbônico varia bastante de um tipo para outro tipo de espumante.
O gás carbônico desempenha papel fundamental na produção e apreciação do vinho espumante. O maior segredo e dificuldade na elaboração deste vinho está justamente no aprisionamento do dióxido de carbono, um sub-produto dos processos de fermentação. O bom espumante, aquele que vale a pena conhecer, não é adicionado de gás carbônico, mas tem esse componente gerado naturalmente em seu processo de elaboração. Em caso de dúvida, consulte o rótulo ou o contra-rótulo: na maioria das legislações nacionais sobre alimentos, inclusive a brasileira, é obrigatória a menção ao gás como um dos ingredientes. Se houver, não é um espumante de alta qualidade.