A história dos dublês

Nos primórdios da indústria cinematográfica, não havia muita preocupação com o trabalho dos dublês profissionais. Se alguma cena necessitava de uma ação de risco, os produtores contratavam alguém louco ou desesperado o bastante para fazê-la. Os primeiros dublês profissionais eram comediantes como Keystone Kops e Buster Keaton. Mesmo assim, eles não eram treinados para fazer acrobacias, ao contrário, aprendiam na base da tentativa e do erro. Se precisavam de uma cena de um homem pendurado em uma viga de metal a centenas de metros do chão, eles não faziam uma viga de metal falsa distante apenas a alguns metros do chão sobre uma superfície acolchoada - eles achavam um ator que estivesse disposto a se pendurar lá em cima mesmo. Os filmes de ação modernos ainda não existiam, então, a maioria dos trabalhos de dublês era feita para as comédias de pastelão.

No começo do ano de 1910, os expectadores desenvolveram um gosto por seriados de filmes de ação. Isto fez nascer a demanda por cenas mais perigosas e o primeiro uso de dublês focado exclusivamente na substituição de atores em cenas perigosas. O sucesso dos filmes de faroeste na era do cinema mudo e no princípio da era do cinema falado deu vez a uma multidão de estrelas de rodeios que se tornaram estrelas de cinema e dublês. Entre os mais famosos estavam Tom Mix e Yakima Canutt.

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Foto cedida por stock.xchng
Embora os fios possam ser retirados com o auxílio dos computadores, eles não podem recriar cenas reais como esta

As décadas de 60 e 70 testemunharam o desenvolvimento da mais moderna tecnologia de cenas com dublês, como os aríetes pneumáticos, os colchões de ar e as balas de rojões. Essa tecnologia continua a se desenvolver até os dias de hoje. Porém, o maior desenvolvimento dessa tecnologia é algo que os dublês temem que possa vir a deixá-los desempregados - Imagens Geradas por Computador (IGC). Com o aperfeiçoamento da computação gráfica. É possível criar cenas muito realistas com as IGC. Isso permite que os diretores gravem cenas de risco que seriam muito caras e perigosas, ou mesmo impossíveis de realizar com dublês de verdade. A IGC tem sido usada para criar cenas de vôos elaboradas, quedas, batidas de carro, explosões e muito mais. Porém, sempre haverá a demanda pelo realismo de uma cena com dublê, e o IGC também tem seus custos e dificuldades, portanto, a industria de dublês de Hollywood não corre nenhum risco de desaparecer.

Homenageando os dublês

Não existe um Oscar para o trabalho dos dublês, mas a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas oferece um Emmy aos coordenadores de cenas com dublês (mas não aos dublês). As razões dadas para não haver um Oscar variam, desde a intenção de não tirar o anonimato e a ilusão proporcionada pelo trabalho do dublê, até o desejo da academia de cinema de cortar o número de prêmios e encurtar a cerimônia de entrega do Oscar, ao invés de acrescentar mais prêmios. Porém, em 1967, Yakima Canutt recebeu um Oscar honorário pela sua carreira de dublê.

A Fundação Taurus World Stunt Awards não apenas premia dublês em um show anual, mas também oferece suporte financeiro aos dublês do mundo todo que sofreram ferimentos durante o trabalho. Em 2007, Gary Powell ganhou o prêmio Taurus de melhor diretor da unidade de coordenação de acrobacias pelo seu trabalho em "Casino Royale", o último filme da Série 007 - James Bond.