Introdução


Carlos Drummond de Andrade

Tirar poesia de pedra. Essa parece ter sido a missão de Carlos Drummond de Andrade, poeta do cotidiano, das coisas do mundo, dos caminhos tortos da modernidade brasileira no início do século 20.

Nascido em Itabira, Minas Gerais, em 31 de outubro de 1902, Carlito foi o nono filho de Julieta Augusta Drummond de Andrade e Carlos de Paula Andrade, família de fazendeiros prósperos e grandes proprietários de terras na região. Mas, segundo Drummond, ele nasceria, de fato, no momento em que escreve seu primeiro texto - uma redação escolar na qual narrava, em apenas dez linhas, uma viagem ao Pólo Norte que incluía a descrição de um naufrágio e da visita a um vulcão. Essa foi a primeira vez que Drummond sentiu o “rosto ardendo” ao escrever, sensação que se repetiria em todas as suas inúmeras experiências de escrita, ao longo da vida.

Drummond
Foto: Agência Estado
O escritor Carlos Drummond de Andrade na década de 80


Do primeiro texto escolar à consagração como poeta, Drummond precisou superar várias pedras no caminho de sua formação. A mais emblemática delas foi a expulsão do Colégio Anchieta, em Friburgo, pouco antes de completar 17 anos, por “insubordinação mental”, o que lhe deixou cicatrizes profundas: “Perdi a fé. Perdi tempo. E sobretudo perdi a confiança na justiça dos que me julgavam”.

Apesar do golpe, essa ruptura foi o estopim para uma espécie de renascimento - livre do regime autoritário do colégio de jesuítas, ao qual ele se submeteu com determinação durante os dois anos de internato, chegando a pensar seriamente em tornar-se padre -, que o lançou em direção a uma nova fase, na qual a ousadia e a rebeldia típicas da juventude lhe abririam novos espaços para expressar suas idéias e seu talento.

Conheça nas páginas a seguir a trajetória e a obra desse que é um dos mais importantes escritores brasileiros.

Obra completa
Poesia
Alguma Poesia (1930)
Brejo das Almas (1934)
Sentimento do Mundo (1940)
Poesias (1942)
A Rosa do Povo (1945)
Poesia até Agora (1948)
A Máquina do Mundo (1949)
Claro Enigma (1951)
A Mesa (1951)
Viola de Bolso (1952)
Fazendeiro do Ar & Poesia até Agora (1954)
Soneto da Buquinagem (1955)
Ciclo (1957)
Poemas (1959)
Lição de Coisas (1962)
Obra Completa (1964)
Versiprosa (1967)
José e Outros (1967)
Boitempo e A Falta que Ama (1968)
Reunião: 10 Livros de Poesia (1969)
D. Quixote (1972)
As Impurezas do Branco (1973)
Menino Antigo (Boitempo II) (1973)
Minas e Drummond (1973)
Amor, Amores (1975)
A Visita (1977)
Discurso de Primavera e Algumas Sombras (1977)
O Marginal Clorindo Gato (1978)
Nudez (1979)
Esquecer para Lembrar (Boitempo III) (1979)
A Paixão Medida (1980)
Nova Reunião: 19 Livros de Poesia (1983)
O Elefante (1983)
Caso do Vestido (1983)
Corpo (1984)
Mata Atlântica (1984)
Amor, Sinal Estranho (1985)
Amar Se Aprende Amando (1985)
Pantanal (1985)
O Prazer das Imagens (1987)
Poesia Errante (1988)
Arte em Exposição (1990)
O Amor Natural (1992)
A Vida Passada a Limpo (1994)
Farewell (1996)
A Senha do Mundo (1996)
A Cor de Cada Um (1996)
A Falta que Ama (2002)

Crônica
Fala, Amendoeira (1957)
A Bolsa e a Vida (1962)
Cadeira de Balanço (1966)
Caminhos de João Brandão (1970)
O Poder Ultrajovem (1972)
De Notícias e Não-notícias Faz-se a Crônica (1974)
Os Dias Lindos (1977)
Crônica das Favelas Cariocas (1981)
Boca de Luar (1984)
Crônicas de 1930-1934 (1984)
Moça Deitada na Grama (1987)
Auto-retrato e Outras Crônicas (1989)
O Sorvete e Outras Histórias (1993)
Vó Caiu na Piscina (1996)

Conto
O Gerente (1945)
Contos de Aprendiz (1951)
70 Historinhas (1978)
Contos Plausíveis (1981)
O Pipoqueiro da Esquina (1981)
História de Dois Amores (1985)
Criança dagora é Fogo (1996)

Ensaio
Confissões de Minas (1944)
Passeios na Ilha (1952)
A Lição do Amigo (1982)
Em Certa Casa da Rua Barão do Jaguaribe (1984)
O Observador no Escritório (1985)
Tempo, Vida, Poesia (1986)
Saudação a Plínio Doyle (1986)
O Avesso das Coisas (1987)
De Tudo Fica Um Pouco (1991)
Conversas de Livraria: 1941 e 1948 (2000)