A necessidade de estabelecer concessões

Há duas maneiras de um cinema contratar um filme:
  • preço fechado
  • porcentagem

O preço fechado exige que o cinema concorde em pagar uma quantia fixa pelo direito de exibição do filme. Um cinema pode pagar, por exemplo, US$ 100 mil por um contrato de quatro semanas. Durante este período, ele pode arrecadar US$ 125 mil, rendendo um lucro de US$ 25 mil ou pode arrecadar apenas US$ 75 mil, o que significa prejuízo de US$ 25 mil. Poucas empresas de distribuição usam este sistema atualmente. A maioria dos acordos estabelecem uma porcentagem da bilheteria (venda de ingressos).

Nesse modelo de negócio, o distribuidor e o cinema acordam vários termos:

  • o cinema negocia a quantia de reembolso da casa ou o custo operacional com o distribuidor. É uma espécie de quantia fixa para cobrir as despesas básicas de cada semana;
  • a porcentagem de divisão da bilheteria líquida é estabelecida. É o valor de bilheteria que resta depois da redução do reembolso da casa;
  • a porcentagem de divisão da bilheteria bruta é estabelecida;
  • a duração do contrato é estabelecida (em geral, quatro semanas).
O distribuidor fica com a maior parte do dinheiro arrecadado pelo filme. O acordo dá ao distribuidor a porcentagem combinada que for maior, a bilheteria líquida ou a bilheteria bruta. É incrível como isto funciona!

Considere este exemplo. O cinema A está negociando um novo filme com o distribuidor B. O cinema entende que as despesas (o chamado custo operacional) giram em torno de US$ 4.500 por semana. A porcentagem líquida do distribuidor é estabelecida em 95% para as duas primeiras semanas, 90% para a terceira e 85% para a última. A porcentagem bruta do distribuidor é estabelecida em 70% para as duas primeiras semanas, 60% para a terceira e 50% para a última.

quadro de lucros da distribuição de um filme

Você pode perceber que durante as três primeiras semanas a porcentagem bruta é maior. A porcentagem líquida é maior na quarta semana. Portanto, o distribuidor fica com a porcentagem bruta sobre as três primeiras semanas e com a líquida sobre a quarta. Na primeira semana o cinema não ganha nem perde; na segunda ele perde dinheiro; nas duas últimas semanas, tem lucro.

O filme é considerado um artigo promocional pelo dono do cinema: ele deve atrair as pessoas. O cinema ganha seu dinheiro vendendo guloseimas para a platéia. É por isto que as concessões são tão caras: sem os lucros gerados pela pipoca e pelos refrigerantes, a maioria dos cinemas não conseguiria permanecer funcionando.

No final do contrato, o cinema paga ao distribuidor sua cota da renda da bilheteria e devolve a cópia. Se um filme for muito popular e continuar atraindo um público contínuo, o cinema pode renegociar uma extensão do contrato. Toda vez que você vir a frase "prorrogado", saberá que o cinema prorrogou o seu contrato.

Se por um lado a primeira temporada dos filmes que acabaram de ser lançados são artigos de promoção, a exibição de filmes que saíram de cartaz há algum tempo pode ser lucrativa para os cinemas. Os cinemas que exibem a segunda temporada em geral conseguem acordos bastante atraentes com o distribuidor. No entanto estes cinemas estão enfrentando uma competição cada vez maior, já que os cinemas de primeira temporada vêm rotineiramente prolongando o tempo de exibição dos filmes para além do período de quatro a seis semanas.