![]() Divulgação Pão de queijo, tipicamente mineiro |
O porco, base de vários pratos, é muito apreciado por várias razões. “O boi e a vaca eram usados para o arado. A vaca também dava o leite, que era aproveitado para preparar os queijos e a manteiga. Já o porco não tinha essa função. Além disso, era mais fácil criar um porco no quintal”, diz Rita.
Foram os escravos afro-brasileiros os responsáveis por disseminar comidas à base de carne suína. “Eles recebiam as partes menos desejadas do animal, como orelhas, rabo e língua e conservavam-nas na gordura derretida do próprio porco. Foi aí que eles começaram a fazer uma cozinha muito mais substanciosa.” Ou a comida com “sustança”, como diz o mineiro.
![]() Divulgação Canjiquinha com costelinha de porco, um dos pratos de influência dos escravos africanos |
Do contato com os índios, os escravos assimilaram a mandioca, o milho e suas farinhas. E é dessa combinação que surgiram pratos como a canjiquinha com costela e o angu de fubá. O tutu de feijão (feijão com farinha de mandioca) segue a mesma cartilha, mas também guarda semelhanças com o feijão-tropeiro dos paulistas – prato que também é bastante valorizado entre os moradores de Minas.
![]() Divulgação Vaca atolada, ícone mineiro |
O leitão à pururuca, o frango com quiabo e angu e a ora-pro-nóbis, vegetal que costuma ser refogado como a couve e é encontrado basicamente em Minas, são outras especialidades da cozinha das Minas Gerais.
Comida de fazenda
![]() Divulgação Frango com quiabo, da fazenda para os restaurantes |
Como escreve Maria Stella Libanio Christo, em seu livro “Fogão de Lenha 300 Anos de Cozinha Mineira”, “costume mineiro é comer cinco vezes por dia. Só café, coletivamente, o mineiro toma três. O primeiro é simples e bem cedinho, acompanhado de pão com manteiga ou broa de fubá... o segundo café se acompanha de bolo, rosca, biscoitos e queijo fresco. Antes de dormir, café reforçado com quitandas.”
Vai ver por isso que a hospitalidade mineira é famosa em todo o país. “Na cidade ou no campo, em Minas, há sempre um aviso não escrito: ‘Cheguem-se, a casa é sua!’”, completa a autora.