![]() Reprodução Família portuguesa que se fixou no Rio de Janeiro no século 19 |
“O Rio de Janeiro carrega uma influência muito grande da cozinha portuguesa”, ensina a coordenadora do curso de gastronomia da FMU, Rita Corsi. O fato de a capital fluminense ter sido a capital do Brasil entre os anos de 1763 e 1960 – quando a capital federal foi transferida para Brasília – é um dos motivos dessa influência tão forte. Além disso, entre 1808 e 1815, o Rio foi a capital do império português, período que a corte fugiu da invasão do general francês Napoleão a Portugal.
Segundo Rita, “os portugueses trouxeram a comida com muito azeite, ovos e pescados”, descrição que remete à tradicional bacalhoada. Geograficamente, a cidade servia às necessidades dos colonizadores, que encontravam seus peixes preferidos no litoral do Oceano Atlântico, o mesmo Oceano que banha as costas lusitanas.
Do contato com os escravos africanos, a comida do colonizador foi gradualmente sendo absorvida pelos moradores da capital da colônia. “Os escravos que trabalhavam para a corte acabavam aprendendo as técnicas e as receitas de Portugal e entravam em contato com as iguarias trazidas da Europa”, afirma Rita.
Desse contato surgiram pratos como o cozido carioca e a feijoada – ícone da culinária nacional. Apesar de ser muito difícil reconstruir a origem do prato à base de feijões pretos e carne de porco, foram os cariocas os principais responsáveis por popularizar a feijoada.
![]() Reprodução/Bolinha Os cariocas foram os responsáveis pela popularização da feijoada |
![]() Reprodução/The Worldwide Gourmet Bolinho de bacalhau |
As técnicas da doçaria portuguesa também foram bastante absorvidas pelos escravos, com destaque para os doces à base de ovos, afirma Rita Corsi. O quindim é um exemplo dessa troca entre colonizadores e colonizados. E a fama da tradicional Confeitaria Colombo vem de seus pastéis de nata e outros doces lusitanos.