Turu, aviú, tartaruga e outras iguarias do Norte

Caldo de turu, espécie de minhoca que vive em troncos podres do mangue marajoara
Abrasel/Brasil Sabor
Caldo de turu

Turu

Sabe aqueles programas de sobrevivência na selva em que, para não morrer de fome, o perdido é obrigado a comer uns vermes brancos e gordos que são encontrados em troncos de árvores? É a essa cena que o primeiro encontro com o turu, o prato predileto dos ribeirinhos da Ilha de Marajó, nos remete. O turu parece uma lombriga branca e leitosa. De textura gelatinosa e pegajosa, ele vive dentro de troncos de árvores apodrecidas nas águas salobras do mangue marajoara.  A população local come o bicho cru, com algumas gotas de limão e um pouco de sal (algo difícil de encarar, se você não está familiarizado com a culinária local), mas é comum ver o caldo de turu, uma iguaria marajoara que é ensinada sem quantidades exatas de ingredientes (veja receita abaixo).

Caldo de turu 

Ingredientes

  • Turu
  • Alho e cebola picados
  • Pimentões variados picados
  • Tomate picado
  • Azeite o quanto baste
  • Suco de limão
  • Sal, pimenta-do-reino e salsinha picada a gosto
Modo de preparo
  1. Deixe o turu descansar em uma tigela por uma hora. Ele vai soltar um líquido leitoso, de cor roxo-claro;
  2. Coloque uma panela no fogo e refogue um pouco de alho e cebola picados com azeite;
  3. Depois de fritar levemente a cebola e o alho, adicione pimentão e tomate cortado em cubos
  4. Adicione o turu e o líquido que ficou na tigela
  5. Cozinhe por cerca de 4 minutos (mais que isso e o bicho ficará borrachudo)
  6. Finalize o tempero da sopa com suco de limão, sal e pimenta-do-reino e salsinha a gosto.
  7. Sirva quente

 

Aviú

No Pará, um dos ingredientes prediletos de quem mora nos arredores de Santarém é o aviú, um microcamarão comum nas águas rasas do rio Tapajós e que é usado em recheio de tortas e salgados e em omeletes (veja receita abaixo). O aviú é tão pequeno (seu comprimento raramente ultrapassa o tamanho de uma unha), que é o ingrediente principal de uma peça pregada por cozinheiros locais experientes em novatos de outras regiões do país. O desavisado candidato a chef recebe a incumbência e limpar 1 kg de aviú. Para isso, recebe uma pinça e a tarefa de arrancar os olhos nanométricos do aviú. E vira motivo para gargalhadas. O minúsculo aviú pode ser encontrado nos mercados da região, vendido seco.

 Omelete de aviú

Ingredientes

  • 200 g de aviú
  • Suco de 2 limões
  • 6 ovos
  • 2 colheres (sopa) de azeite
  • 1 colher (sopa) de cebola batida
  • 1/2 colher (sopa) de salsinha picada
  • Sal a gosto
Modo de preparo
  1. Lave o aviú com uma mistura de 1/2 litro de água e suco de limão. Escorra;
  2. Bata bem os ovos com um garfo em uma tigela e adicione o sal;
  3. Numa frigideira, aqueça o azeite e doure a cebola;
  4. Junte o aviú e refogue rapidamente;
  5. Junte os ovos;
  6. Quando a omelete estiver encorpada, vire-a sobre um prato e salpique a salsinha picada por cima. Sirva em seguida.

 

Vários pratos à base de tartaruga fazem parte da culinária do Norte do Brasil
Abrasel/Brasil Sabor
Vários pratos à base de tartaruga fazem parte da culinária do Norte do Brasil

Tartaruga

Os defensores das tartarugas devem querer morrer, mas o quelônio sempre foi  um dos pratos prediletos de quem mora na região Norte. E isso desde os tempos da colônia, quando o bichinho era o ingrediente principal de vários pratos. Sarapatel, feito com o sangue e os miúdos da tartaruga, sopa, ensopado, assado... Todos pratos que ainda visitam as mesas nortistas, mas não com tanta frequência quanto antes. É que o animal está na lista de protegidos pelo Ibama, e o instituto permite o consumo de apenas duas espécies das 14 espécies de água doce existentes na região para criação em cativeiro e comercialização. O tracajá e a tartaruga-da-amazônia  fazem a alegria dos moradores e dos chefs de cozinha. Deles se aproveita tudo. Fígado para refogado, sangue e miúdos para o sarapatel, peito para fazer filé, casco para servir a iguaria, com farofa e arroz branco como acompanhamento.

Outra iguaria da culinária do Norte é a farinha de peixe, ou piracuí. Ela é feita do peixe acari-bodó, que é assado em forno a lenha ou seco ao sol antes de ser transformado em farinha com a maceração em pilão de madeira [fonte: Brasil Sabor]. Com essa farinha são feitos bolinhos, farofa e pizza.

Mas a culinária do Norte brasileiro também tem seu lado açucarado. Conheça na próxima página.