Freqüentemente, a comida baiana é associada com a culinária de todo o Nordeste - uma idéia equivocada que vem principalmente de quem não conhece a região, muito menos o Estado. Ao contrário do que acontece em boa parte do Nordeste, cujos pratos foram moldados basicamente pelos portugueses e índios, a Bahia acolheu de braços abertos a influência dos africanos - mais do que qualquer outro Estado da federação, diga-se de passagem - e isso é visível na rica comida baiana.
É praticamente impossível não associar a culinária baiana com o azeite-de-dendê, o leite de coco e a pimenta, três ingredientes de uso predominante dos escravos africanos que primeiro aportavam em Salvador (a primeira capital da colônia) e depois eram distribuídos para o restante do país.
![]() iStockphoto Dendê: o óleo extraído do fruto é usado em quase todos os pratos da culinária baiana |
A pimenta é um caso à parte. A malagueta, consumida em quantidades que fazem muitos paulistas e cariocas suarem só de pensar, é um ingrediente típico brasileiro. Os africanos conheciam um outro tipo de malagueta. Após provar a espécie nacional, abandonaram a malagueta de suas terras. Mais: levaram a malagueta brasileira até o continente africano e, uma vez cultivada por lá, o fruto brasileiro tomou o lugar da "irmã" no gosto e nas plantações.
Junte esses três ingredientes com a variedade de peixes e frutos do mar encontradas na costa do Estado e tem-se aí a base da culinária da Bahia. O camarão seco é muito usado nos acarajés e no caruru, efós e outros pratos.
![]() ©2008 HowStuffWorks Camarão seco, muito usado em acarajés e no caruru |
Já os colonizadores portugueses também deixaram seu legado à culinária baiana - embora não tão expressivo quanto em outras regiões brasileiras. A galinha à cabidela é um prato bastante apreciado não só na Bahia, mas em todo o Nordeste. Na doçaria, a contribuição dos patrícios pode ser reconhecida nos quindins.