Acalmando o Palhaço

"Batman! Eu o acuso por interferir no direito dos criminosos de cometerem crimes!"

(Batman #163, "O Juri do Coringa")

Nos EUA, durante a década de 40 e 50, as revistas em quadrinhos com histórias de terror e de crimes estavam entre os mais populares títulos publicados na época. A crença de que tais histórias estariam ajudando a despertar instintos delinqüentes nos jovens fez com que o Dr. Frederick Wertham publicasse o livro "Sedução do inocente: a influência de histórias em quadrinhos na vida dos adolescentes", em 1954. No livro, Wertham mostra ilustrações de cenas violentas ou de conteúdo sexual contidas nas revistas. Ele argumentava que as histórias encorajavam comportamento anti-social e homoerótico na juventude americana.

O selo da Autoridade de Histórias em Quadrinhos
O selo da Autoridade de Histórias em Quadrinhos

O público reagiu com desprezo em relação à indústria de revistas. Muitos pais proibiram seus filhos de lerem as histórias. Para permanecer no mercado e reconquistar a confiança do público, a maior editora de revistas em quadrinhos criou um Código de Autoridade de Histórias e começou a regulamentar o conteúdo de suas revistas. As editoras tiveram de parar de publicar as revistas que tratatavm temas como zumbis, monstros e crimes, que eram o carro-chefe de vendas, para dar lugar a revistas menos populares, como as de conteúdo humorístico. Muitas editoras tiveram de fechar suas portas. Se não fosse o sucesso das revistas em quadrinhos com histórias sobre super-heróis, produzidas na década de 60 pela Marvel e pela DC, o gênero poderia ter sido extinguido.

Como resultado da pressão contra tais histórias, e com a criação do Código de Autoridade, o Coringa foi retratado como uma figura de humor durante as décadas de 40 e 50. Sua imagem passou de um perigoso e engenhoso assassino para um lunático e irritante pregador de peças. Ele se tornou um ladrão que planejava roubos elaborados e que geralmente envolviam charadas e disfarces.

Batman comic covers
Imagem cedida por DC Comics
Os truques do Coringa incluiam passeios no Coringa-Móvel (Batman #37), disfarçe de gênio (Batman #49), a criação de um cinto de utilidades anti-Batman (Batman #73) e uma ensurdecedora gaita-de-fole
(Detective Comics #149)

Apesar de praticar atividades menos letais, o Coringa continuava sendo um dos mais inteligentes inimigos de Batman. O vilão utilizava inúmeros aparatos, como "Fantasias para Crimes", um cinto de utilidades e até mesmo um coringa-móvel, que trazia seu rosto estampado na parte dianteira. Essa versão do vilão durou até a década de 60. Foi então que, Julius Schwartz, que não gostava muito do personagem Coringa, começou a editar as histórias do Batman. Com isso, o Coringa quase caiu no esquecimento.