Introdução

Selo HowStuffWorks

"O Código da Vinci" é um tremendo best-seller, com mais de 40 milhões de exemplares vendidos, em pelo menos, 44 línguas. Sucesso de público, o livro também é campeão de protestos e polêmicas, porque apesar de ser uma obra de ficção, é apresentado como baseado em fatos reais.

Não é nenhum segredo que o pessoal do HowStuffWorks desmonta qualquer coisa para ver como funciona. E parte da equipe também fica apontando falhas de filmes e programas de TV quando o assunto é ciência ou tecnologia (quem está do lado não gosta nada...). Com "O Código da Vinci" não poderia ser diferente - houve uma verdadeira caça aos erros do texto.

Neste artigo, você vai saber o que aconteceu quando demos uma olhada mais detalhada e mais de perto em "O Código da Vinci" e em como ele usa a ciência, a tecnologia, a arte e a história.

Foto cedida HowStuffWorks Shopper

Problema no Louvre
"O Código da Vinci" começa com um crime no museu do Louvre, em Paris. No comando de alguém conhecido como "O Professor," um homem chamado Silas assassina o curador Jacques Sauniandegraveère. Depois de reverem a prova, investigadores franceses convocam o simbologista Robert Langdon, da Harvard, para interrogatório.

O capitão Bezu Fache, da Direction Centrale Police Judiciaire (DCPJ), tem certeza de que Langdon é o assassino. Fache faz com que um de seus tenentes plante um ponto GPS no bolso de Langdon. É um "botão metálico em forma de disco, mais ou menos do tamanho de uma bateria de relógio". Este ponto, de acordo com a criptógrafa Sophie Neveu, tem margem de erro de 60 cm e permite que a DCPJ rastreie a localização de Langdon, não importa onde esteja. Em outras palavras:

  • é pequeno
  • é preciso
  • funciona em ambientes fechados


Entretanto, os verdadeiros sistemas de posicionamento global (GPS) podem ser pequenos, mas são geralmente maiores que uma bateria de relógio. A unidade descrita no livro também teria que ter encaixado uma fonte de energia e um segundo rádio transmissor em sua pequena concha para se comunicar com os computadores da polícia. Têm margem de erro de 4 a 100 m. Não funcionam bem em ambientes fechados, sob cobertura de árvores densas ou em áreas urbanas com prédios altos.

Um receptor GPS usa a posição de três ou mais satélites para determinar a
localização de uma pessoa e não um, como no romance

Um receptor GPS usa ondas de rádio para comunicar com satélites que estão a 17.710 km acima da superfície da Terra. O receptor tem que ter uma linha de visão ininterrupta para esses satélites, algo que não acontece nos ambientes fechados. Mesmo a tecnologia GPS militar não consegue fixar-se em um soldado que esteja sob uma densa cobertura de árvores ou escondido. Verifique Como funcionam os receptores de GPS para saber mais.

O importuno ponto GPS continua causando problemas à medida que a história acontece. Sophie conta a Langdon que se ele jogar o ponto fora, os oficiais da DCPJ vão ver que o ponto não está se movendo e saber que Langdon os descobriu. Ela então surge com um plano engenhoso: embute o receptor em uma barra de sabão, quebra a janela de um banheiro e atira o sabão sobre o teto de um caminhão que está passando.


Os oficiais correm para apreender o caminhão, acreditando que Langdon esteja no teto. Isso dá a ele e a Sophie algum tempo. Infelizmente os banheiros do Louvre só têm sabão líquido, como a maioria dos outros banheiros públicos. De acordo com um guia turístico de "O Código da Vinci", os banheiros naquela parte do Louvre não têm janelas.

Verifique os equívocos no museu na próxima seção.

Uma nota sobre cronologia
"O Código da Vinci" não especifica a data em que seus eventos ficcionais aconteceram, mas dá indícios de que se passam em 2000 ou 2001, nos seguintes aspectos:
  • o Sr. Leigh Teabing faz referência à recente passagem do milênio;
  • o livro faz referência a eventos atuais, como o sucesso de Harry Porter;
  • eventos críticos acontecem na Salle des Etats do Louvre, que esteve fechada para reforma de 2001 a 2004.
Uma outra possibilidade é que o livro aconteça em algum momento entre 2001 e sua data de publicação de 2003. Se for esse o caso, a inclusão da Salle des Etats é um enorme descuido.