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Décadas depois do final da ditadura militar que governou o Brasil, Chico Buarque ainda é o símbolo da resistência cultural contra a falta de liberdade que tomou conta do país naquele período. As canções “A Banda”, “Apesar de Você”, “Construção”, “Cálice” e “O que Será”, entre inúmeras outras, são lembradas e estudadas devido ao seu teor poético, marca registrada do compositor. Mas, são principalmente reverenciadas pelo seu conteúdo ideológico, capaz de revelar diversos momentos da história da sociedade brasileira.
![]() Foto: Marcos D'Paula/AE Chico Buarque no show "Carioca", no Rio de Janeiro, em 2007 |
Através da obra de Chico Buarque é possível enxergar um país eufórico com a modernidade dos “Anos Dourados”, da década de 50; saudoso com o final do sonho de desenvolvimento, do início dos anos 60; criativamente rebelado contra a falta de liberdade imposta pelo regime militar, a partir de 1964; ainda não muito confiante com o final da ditadura e o processo de redemocratização, na década de 80. E, depois disso, surpreendentemente silencioso com a concretização do sonho da democracia.
Quem parece não gostar muito do rótulo de mito, herói, líder político ou voz engajada, no entanto, é o próprio Chico Buarque. Não que a causa não tenha sido nobre, mas é que os tempos parecem exigir canções diferentes ou novas formas de expressão. As raras composições inéditas que gravou neste período retomam, com toda a qualidade que lhe é característica, o lirismo abandonado no começo de sua carreira. E cada vez mais dividem espaço com a literatura. Seus três livros, "Estorvo", "Benjamin" e "Budapeste" venderam quase 500 mil exemplares, segundo a editora Companhia das Letras. Receberam ainda várias premiações no Brasil e no exterior, além de terem sido traduzidos para diversos idiomas. Isso só parece confirmar o fato de que Chico Buarque sempre será bom com as palavras e reverenciado pelo público, em qualquer área cultural em que se aventure.
Conheça a seguir um pouco mais da trajetória e da obra de Chico Buarque, que além das canções, inclui também teatro, cinema e literatura.
início da carreira: 1965 |