Um jovem de 20 anos que vivia no Rio de Janeiro, nos “anos dourados”, podia se considerar um privilegiado. A cidade, que era um dos maiores centros urbanos da época, havia se tornado o sonho de consumo dos emergentes da classe média de todo país: era moderna e linda. De dia, o sol e o mar convidavam para um passeio à praia onde garotas de biquíni desfilavam. À noite, a cidade fervia em festinhas embaladas por sessões de música nos apartamentos da zona sul carioca. Em alguns desses apartamentos, um grupo de jovens músicos de classe média alta, entre eles Nara Leão, João Gilberto, Roberto Menescal, Carlos Lyra, Billy Blanco, Ronaldo Bôscoli e Oscar Castro Neves, reunia-se para ouvir e tocar música, tentando encontrar um estilo que estivesse mais de acordo com aqueles novos tempos, que representasse a modernidade do Rio de Janeiro e a forma de vida deles. Em um destes encontros, o violonista João Gilberto apareceu com uma batida nova no violão, com acordes dissonantes, inspirados no jazz americano, música da moda entre os descolados da época.
Mas foi só no ano seguinte que o ritmo da bossa nova encontrou com a música e a poesia, quando os compositores Tom Jobim e Vinícius de Moraes, ainda desconhecidos, resolveram arriscar e colocaram a batida criada por João Gilberto em uma das faixas do LP "Canção do Amor Demais". A música “Chega de Saudade”, interpretada por Elizete Cardoso, cantora de sucesso da época, causou estranheza e ao mesmo tempo chamou atenção do público, que não entendeu direito que forma estranha era aquela de tocar samba. Em 1959, apostando na novidade, João Gilberto gravou seu primeiro disco com a mesma canção “Chega de Saudade” e inaugurou oficialmente, com Tom Jobim e Vinícius de Moraes, o gênero que seria chamado de bossa nova. Surgia assim a trilha sonora dos “Anos Dourados”.
Usada pela primeira vez na música “Coisas Nossas” por Noel Rosa, na década de 30, a palavra "bossa" significava “coisa boa” ou “de valor”. Ao se incorporar à expressão bossa nova no final dos anos 50, para designar o novo movimento musical que nascia, o termo extrapolou o campo musical e passou a ser sinônimo de tudo o que era novo e moderno. Naqueles anos, tudo se transformou em bossa nova no Brasil, a música, o teatro, o cinema e até o presidente da república, Juscelino Kubitscheck. Veja aqui algumas coisas que estavam na moda nos anos 50: |