De Memphis a Chicago: o blues elétrico
 Reprodução Muddy Waters mudou o rumo do blues
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A partir da década de 20, Memphis, Tennessee, virou a capital do blues. As apresentações e a concentração de
bluesmen do delta do Mississippi convergiram para a cidade. O gênero começou então a se tornar mais popular, também graças a sua divulgação nas rádios e ao interesse das gravadoras de discos. Apesar de ter nascido e se desenvolvido como um gênero essencialmente musical masculino, essa era “clássica” do blues foi dominada inicialmente pelos vocais femininos de Bessie Smith, Ma Rainey, Alberta Hunter e Ethel Waters. Nessa época, as gravadoras buscaram no sul pobre novos artistas e descobriram o talento de
bluesmen como Charlie Patton. Enquanto isso, a migração de negros do sul para o norte, para fugir da miséria e da segregação sulista, intensificou-se e nos anos 40 muitos tocadores de blues já estavam em Chicago.
| O som do blues Musicalmente, o blues nasceu da mistura das sonoridades africanas com a ocidental. Fundamentado numa poética cantada, seu ritmo e acompanhamento musical funcionam como uma extensão da voz do bluesman. Assim, o andamento da canção funciona no estilo “chamado-e-resposta”. Um verso é cantado e a resposta vem do instrumento, que procura ser uma imitação da voz humana. A estrutura musical de um blues é rígida e limitada, normalmente para acompanhar letras cantadas em 12 compassos, muitas vezes irregulares. Mas o grande diferencial do blues, e o que o torna difícil de definir tecnicamente, é o suingue e a sensibilidade que cada bluesmen coloca nas canções. Como cantou Robert Johnson em “Walkin’ Blues”, o “blues é um sentimento”.
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O interesse pelo gênero cresceu e para fazer as apresentações para públicos maiores nas grandes cidades como Memphis, St. Louis ou Chicago, os artistas e as bandas aderiram aos instrumentos eletrificados. A introdução da
guitarra elétrica e de temas urbanos criou um novo estilo que ficaria conhecido como blues elétrico ou Chicago blues. Marco dessa mudança foram as canções eletrificadas e o estilo de tocar de T-Bone Walker. Mas a verdadeira revolução que definiria o blues moderno foi feita por
Muddy Waters ao produzir um blues mais pesado e vigoroso, a partir da eletrificação de todos os instrumentos de seu grupo. Essa inovação seria um dos embriões do
rock’n’roll. Da mesma forma que Robert Johnson deu novos rumos ao blues, Muddy Waters mudou o destino do gênero e o transformou num dos mais influentes da canção popular. O Chicago blues foi feito por uma legião excepcional de artistas. Além de Waters, se destacaram
Howlin Wolf,
B.B. King,
John Lee Hooker e Willie Dixon.
As sonoridades do blues elétrico e urbano das grandes cidades e dos pioneiros do delta do Mississippi influenciaram diretamente os primeiros artistas do rock como Chuck Berry, Little Richards e Elvis Presley. Aquilo que nasceu como genuína expressão poética e musical da classe trabalhadora negra norte-americana acabaria por influenciar os gêneros populares e bem sucedidos da música jovem contemporânea, como o rock, a soul music e a música pop.