O blues, o diabo e Robert Johnson

Robert Leroy Johnson teve uma vida curta. Morreu aos 27 anos, após compor e gravar 29 canções. Entre elas, clássicos como “Sweet Home Chicago”, “Cross Road Blues”, “Love in Vain”, “Walkin’ Blues” e “Me and the Devil Blues”. Seu estilo único de tocar, sua voz expressiva e a riqueza poética de suas letras mudaram o blues a partir dos anos 30. Décadas depois, suas canções continuaram a influenciar e a receber versões dos principais expoentes do rock como Eric Clapton, Rolling Stones, Led Zeppelin, Jimi Hendrix e Red Hot Chili Peppers.

Robert Johnson
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Seu estilo de vida, as letras de suas canções, sua fama de mulherengo e as lendas sobre ele fizeram de Robert Johnson o maior mito do blues

De sua vida cercada de mistérios o que se sabe é que Johnson foi um mulherengo inveterado, era dono de um talento único, aprimorado pela sua dedicação à música, adorava beber uísque e viajar pelas estradas ou ferrovias da região do delta do Mississippi. Numa cultura dominada pela superstição, o talento de Johnson em tocar o blues, “a música do Diabo”, e as letras das músicas que compunha, sempre o associando com o Demo, alimentaram a história de que ele havia vendido sua alma ao tinhoso em troca da habilidade de tocar violão melhor do que qualquer um.

A versão mais popular conta que Robert Johnson teria ido até um local próximo a atual intersecção da U.S. Highway 61 com a U.S. Highway 49 com seu violão, um pouco antes da meia-noite, para fazer o pacto. Ele esperou o Diabo aparecer e tocá-lo no ombro. Johnson não deveria olhar para o Demo, que pegou o violão, tocou algumas músicas e devolveu o instrumento para Johnson. O acordo estava feito. Em depoimento para o documentário “The Search for Robert Johnson” (dir. Chris Hunt, 1992), a ex-namorada Willie Mae Powell, que teria inspirado a canção “Love in Vain”, afirmou que Johnson teria comentado com ela ter realmente vendido sua alma em troca de seu talento.

Johnson morreu em 1938, pouco tempo depois de ter conseguido gravar suas canções. Ele teria sido envenenado por um marido traído ou uma namorada ciumenta após beber uma garrafa de uísque que ganhou já aberta. Durante a recuperação do envenenamento teria morrido de pneumonia em Greenwood, Mississippi. Considerado o “rei do blues do Delta”, o que é hoje chamado de country blues, Robert Johnson virou um mito. Muitas histórias sobre almas vendidas ao Diabo em troca de talento e fortuna existiam antes dele, mas sua vida, seu talento e seus versos, como “eu e o Diabo caminhando lado a lado”, o tornaram uma lenda.

Na rota do blues

Localizar a encruzilhada do pacto de Robert Johnson com o Diabo na intersecção da U.S. Highway 61 com a U.S. Highway 49 tem um simbolismo histórico. O local foi ponto estratégico na migração dos negros do sul para o norte dos Estados Unidos. Lá eles não só se abasteciam com mantimentos para suas viagens como também trocavam experiências e informações com outros migrantes. Em função do fluxo de bluesmen por ela, a U.S. Highway 61, que começa em Nova Orleans e passa por St. Louis, ficou conhecida como “rota do blues” e foi imortalizada na canção e no álbum “Highway 61 Revisited” de Bob Dylan.