No ano 480 a.C, um pequeno exército de 300 guerreiros espartanos, liderados pelo Rei Leônidas, enfrentou 100 mil invasores persas sob o comando do Rei Xerxes, em um estreito desfiladeiro chamado Thermopylae. Vinte e quatro séculos depois, a história que o autor e ilustrador Frank Miller havia capturado tão vividamente em sua grafic novel de 1999, chega, finalmente ao cinema como "Os 300 de Esparta", do diretor Zack Snyder, uma tarefa épica que não seria possível sem um exército moderno composto de artistas, técnicos, dublês e treinadores.
Neste artigo, veremos como a história do romance gráfico se transformou no filme e como foi feita a escolha de atores para interpretar os personagens principais. Vamos falar também sobre a logística das filmagens, sobre o mito e a história real e sobre o intenso preparo físico dos atores para as cenas de batalha.
![]() Foto cedida por Warner Bros. Pictures À esquerda, uma figura da grafic novel "300" de Frank Miller. À direita, a cena correspondente no filme já finalizado. |
"Quando era criança, assisti a uma versão muito mais simples da história. Desde então, essa história me perseguia". recorda Frank Miller. "Representava tudo que um herói deveria ser. Prometi a mim mesmo que quando fosse bom o bastante, faria a história". Nunca pensei em fazer um filme, mas fiquei impressionado com o entusiasmo de Zack".
Snyder, um diretor de comerciais prestes a rodar seu primeiro filme "O Renascer dos Mortos", enfrentou certo nervosismo ao conhecer Miller. Os dois logo se identificaram um com o outro. "Tínhamos as mesmas idéias estéticas e, de uma hora pra outra, estávamos em uma reunião com a Warner Bros. Mas havia um problema: o estúdio já havia produzido dois épicos: "Tróia" e "Alexandre". "Mas, no final", acrescenta Snyder, "acharam que a perspectiva de Frank, comparada ao estilo de épico produzido por Hollywood, valeria a pena ser realizada e acabaram apoiando minha obsessão".
Usando a grafic novel de Miller como uma espécie de Bíblia, Snyder filmou algumas cenas de teste que ajudaram a definir o estilo de filmagem. Quanto ao roteiro, a adaptação do texto original de Miller foi muito intimidante para seu grande fã, Kurt Johnstad, co-autor do filme (juntamente com Snyder). "Ele é o Santo Graal daquele mundo e éramos cientes disso", diz Johnstad, que esperou ansiosamente pela aprovação do roteiro por parte de Miller.
Ao reproduzir "300" para a tela do cinema, a tarefa de Snyder, segundo o produtor Bernie Goldmann, era "criar um mundo jamais visto, reinventar o épico usando muito menos recursos, cerca de 1/3 do custo de "Tróia" e de "Alexandre", o que significava a ausência de grandes patrocinadores. Na próxima seção, vamos conhecer os atores escolhidos para interpretar Leônidas, o líder dos espartanos e Xerxes, o rei persa que dizia ser um deus.