Barrados no Baile, a versão original

O sucesso de “Beverly Hills, 90210”, ou “Barrados no Baile” como foi chamado no Brasil, veio da abordagem liberal que fez do comportamento jovem na virada dos anos 80 para os 90. Os episódios exploravam temas como o uso e dependência de drogas, o dilema do aborto, a perda da virgindade, a gravidez indesejada na adolescência, os múltiplos relacionamentos sexuais em tempos de AIDS, alcoolismo, racismo e estupro, entre outros assuntos delicados. Apesar desses temas espinhosos, eram principalmente os relacionamentos afetivos, nos casos amorosos e nas amizades, que predominaram nos enredos do seriado.

Barrados no Baile
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Elenco de “Barrados no Baile”: eles amadureceram e mudaram durante as dez temporadas

“Beverly Hills, 90210” estreou no final de 1990 como parte da estratégia da rede de televisão Fox de ganhar a audiência do público jovem. Naquele momento, a chamada “Geração X” (pessoas nascidas entre 1963 e 1974) formava um contingente de consumidores com um poder de compra estimado em US$ 125 bilhões, segundo a Roper Organization. Era para eles que a Fox produziu “Beverly Hills, 90210”.

Ao final da primeira temporada, a série já estava entre as mais famosas da TV e em 1994 havia se tornado a mais popular no público com idade entre 18 e 34 anos, segundo a revista People. Naqueles anos, “Beverly Hills, 90210” já era vista em pelo menos 30 países na Ásia, Europa e América do Sul. O sucesso era tanto que o segundo programa mais visto entre a audiência jovem era “Melrose Place”, uma espécie de “filhote” de “Barrados no Baile”. O segredo é que a audiência jovem se reconheceu nos personagens e nas tramas da série. Além disso, havia uma abordagem aparentemente liberal dos problemas que mais os afligiam. Ainda que, no fundo, visões estereotipadas e conservadoras prevalecessem em muitas situações.

Nas dez temporadas que ficou em cartaz (1990-2000), “Barrados no Baile” mostrou uma juventude em transição. Os primeiros episódios enfatizaram o choque cultural sofrido por Brendon e Brenda Walsh, jovens ingênuos vindos do meio-oeste que tiveram de se adaptar ao novo estilo de vida e valores da juventude dourada da Califórnia. A partir daí, o seriado enfocou a passagem da adolescência para a vida adulta deles e dos seus amigos da West Beverly Hills High School. Em uma narrativa que os acompanhou até a vida na faculdade e um pouco após.

Na típica simbiose que se estabelece entre a ficção e a realidade nos programas televisivos de grande sucesso, o comportamento dos atores fora da TV ajudou a popularizar ainda mais “Barrados no Baile”. Nos momentos em que o seriado atingia o topo da audiência, entre as várias notícias sobre a vida pessoal do elenco, ganharam destaque as desventuras da atriz Shannen Doherty, que interpretava Brenda Walsh. Se no seriado, sua personagem de ingênua interiorana se revelou uma mocinha problemática e rebelde ao se envolver com o bad boy milionário Dylan McCay, na vida real não foi muito diferente. A atriz manteve um comportamento polêmico. Atrasos para as gravações, brigas com o elenco, aparições escandalosas em festas, relacionamentos amorosos conturbados e questões financeiras mal-explicadas a colocaram no centro da “má” publicidade.

Na sua trajetória de se tornar mais um ícone da cultura pop, “Beverly Hills, 90210” usou da novidade de uma abordagem liberal sobre temas polêmicos do universo jovem com a intenção de atrair a audiência e “educá-la”. Assim a virgindade preservada da personagem Dona (interpretada pela atriz Tori Spelling) era uma forma de mostrar que as garotas adolescentes não deveriam ter a obrigação de transar apenas para se mostrarem “legais”. Da mesma forma, a gravidez da personagem Andrea Zuckerman (interpretada por Gabrielle Carteris), uma potencial mãe solteira no meio de sua carreira profissional, levou a uma discussão angustiante sobre se ela devia ou não abortar.

Apesar do predomínio de um viés conservador com muitas soluções moralizantes para esses conflitos, “Barrados no Baile” trouxe à discussão temas importantes e polêmicos para a juventude. Com isso ele incentivou boa parte de sua audiência a refletir, e não necessariamente com as mesmas conclusões “educativas” que os produtores do seriado queriam, sobre questões essenciais em uma fase crucial da passagem da adolescência para a vida adulta. Por conta disso, ela se consagrou como um dos produtos culturais símbolos de uma geração.

Quem foi quem na série original

Em dez anos no ar, “Barrados no Baile” acabou por ter dezenas de personagens. Mas é no núcleo central das primeiras temporadas que estão os principais. Conheça alguns deles:

Brenda Walsh (Shannen Doherty): antes de ser “volúvel” e mal-falada, Brenda era uma ingênua caipira. Sua transformação começou nas baladas com suas novas amigas patricinhas de Beverly Hills e se acentuou ao namorar o bad boy milionário Dylan McCay, com quem teria perdido a virgindade.

Brandon Walsh (Jason Priestley): o irmão gêmeo de Brenda tinha uma quedinha pela política estudantil e procurou ser um exemplo de comportamento ético. Ainda assim achou tempo para ter vários relacionamentos, principalmente com as garotas mais sensíveis e intelectuais do pedaço.

Dylan McCay (Luke Perry): o primeiro grande amigo do bonzinho Brendon em Los Angeles era um milionário que fez o estilo bad boy e solitário. Ingredientes perfeitos para torná-lo o galã preferido das garotas no seriado e fora dele também. Volúvel e controverso, uma espécie de clone de James Dean, teria sido o responsável por levar Brenda para o “mau caminho”.

Kelly Taylor (Jennie Garth): aparentemente uma típica adolescente fútil mostrou-se na verdade uma menina solitária e introspectiva que virou uma sensível garota pela qual tanto o bad boy Dylan como o boa praça Brandon se apaixonaram. Com ela aconteceu quase de tudo: dependência de drogas, estupro, gravidez indesejada etc.

Donna Martin (Tori Spelling): a melhor amiga de Kelly era uma garota rica que queria se manter virgem até o casamento. Portadora de dislexia, ela se formou em moda e criou sua própria grife de roupas.

David Silver (Brian August Green): ele era o meio-irmão de Kelly e o mais jovem do núcleo central de amigos. Além de enfrentar seus vícios em drogas e bebidas alcoólicas, passou um bom tempo tentando convencer Donna, sua namorada, a transar com ele. Talvez tenha conseguido após se casar com ela no final da série.

Steve Sanders (Ian Ziering): o mimado garoto riquinho era festeiro e um membro dedicado das fraternidades estudantis. Dirigindo seu Corvette conversível pelas ruas de Beverly Hills, ele foi sem dúvida o mais egocêntrico da turma.