Eis o enredo do filme resumido por Dick Clement e Ian La Frenais: os ladrões eram um bando de criminosos comuns que foram incluídos no assalto ao banco por um conhecido. Entretanto, os idealizadores da trama eram, na verdade, agentes do MI5, o serviço da contra-inteligência britânica. Eles queriam pôr as mãos no cofre de um gangster de Trinidad chamado Michael X, pois nele havia fotos sexuais de um membro da família real.

Jack English/Lionsgate
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O roubo ficou conhecido como o "Assalto do Walkie-Talkie" porque os ladrões se comunicavam com um rádio de duas vias e um operador de rádio amador gravou as conversas enquanto o crime acontecia. Ele chamou a polícia, mas não foi possível encontrar o local em meio aos 750 bancos presentes no raio de busca. Então os ladrões fugiram com o saque e o crime foi descoberto quando o banco foi aberto na manhã seguinte.
Naturalmente, o assalto virou notícia de primeira página, mas toda a cobertura da mídia foi interrompida após três dias. Aparentemente, um "D Notice", embargo de ação vindo de um alto nível do governo, havia sido expedido. "Não havia lei de liberdade de informação na Grã-Bretanha", lembra La Frenais. "Tudo o que estava documentado simplesmente sumiu".
Nove anos depois, o produtor Lawrence Bender trouxe a história para Clement e La Frenais e os apresentou a um jornalista chamado George McIndoe, que conheceu alguns dos ladrões. Intrigados, Clement e La Frenais cavaram mais fundo e começaram a juntar os fatos e as provas.
Os roteiristas tiveram que preencher muitas lacunas para criar o roteiro. Eles sabiam que, em algum momento, Michael X havia sido preso por assassinato e liberado. "Ele foi solto sem nenhum julgamento. Pode ser porque ele tivesse essas fotos", diz La Frenais. O filme supõe que as fotos escandalosas sejam da Princesa Margaret, a irmã da rainha.
A "Princesa Margaret definitivamente teve relacionamentos com alguns indivíduos bastante duvidosos", diz o diretor Roger Donaldson. Mas a verdade sobre as fotos não pode ser confirmada, pois todos os documentos pertencentes a Michael X estão lacrados até 2054.
Mais de 100 dos donos dos cofres não se identificaram, então Clement e La Frenais concluíram que muitos deles provavelmente eram personagens obscuros. Entre esses donos de cofres, estavam um pornógrafo e uma dona de bordel que teria provas pictóricas de clientes notáveis. Eles incorporaram esses personagens na trama junto com outros que inventaram. Martine, a mulher que planejou o crime (interpretada por Saffron Burrows) tornou-se a catalisadora do golpe.
"George [McIndoe] falou sobre uma linda garota de programa do East End", diz La Frenais. Os roteiristas fizeram dela a ligação entre os ladrões e o MI5.
"Nós sabíamos que havia uma mulher envolvida, pois isso constava nos documentos", acrescenta Clement.
O roteiro original tinha um tom razoavelmente cômico, mas Clement afirma que ele "foi se tornando cada vez mais obscuro enquanto progredia. Estava claro que esses caras não eram muito competentes". Os produtores Charles Roven e Steve Chasman o assumiram e o enviaram para Donaldson. O diretor australiano agarrou a chance de fazer um filme sobre assalto em Londres, mas queria menos comédia. "Ele quis fazer um suspense aos moldes de 'Sem Saída' (No Way Out)", diz Chasman.