História da banda Interpol

A banda Interpol surgiu em Nova Iorque (EUA) em 1998. A formação atual do grupo, com Paul Banks (voz), Daniel Kessler (guitarra), Carlos Dengler (baixo e teclados) e Samuel Fogarino (bateria) é de 2000. Apesar de radicados em Nova Iorque, o grupo começou a tornar-se popular no final de 2001 no Reino Unido, onde fez alguns shows e ganhou espaço nas rádios de lá. Aliás, a identificação do grupo com as influências britânicas vem não só das bandas do pós-punk inglês que o influenciou, mas também do fato de que o vocalista Paul Banks e o guitarrista Daniel Kessler terem nascido na Inglaterra, na cidade de Blighty.

Quando se conheceram em 1998, Banks, Dengler e Kessler eram estudantes da New York University. O baixista Carlos Dengler estudava Filosofia e pretendia seguir a carreira acadêmica quando o guitarrista Daniel Kessler, que estava procurando músicos para formar um grupo, o convenceu a tocar com ele em uma banda. Logo após, eles convidaram Paul Banks. O baterista Samuel Fogarino entrou no grupo em 2000 e trouxe com ele uma pegada mais agressiva, punk para a sonoridade da banda.

Interpol 2
Divulgação
Quarteto resgata o pós-punk dos anos 80

Nos primeiros meses, o Interpol se apresentou nos clubes novaiorquinos com um som que remetia às bandas britânicas dos anos 80, como Echo &The Bunnymen e Joy Division. Em busca de uma gravadora, a banda precisou insistir três vezes com a Matador Records, que tinha lançado bandas indies como Pavement, Yo La Tengo e Cat Power, até ser aceita e ter seu primeiro álbum “Turn On the Bright Lights” lançado em 2002.

À medida que o grupo se tornou conhecido, vieram as inevitáveis comparações com os grupos do pós-punk e do rock gótico britânico da década de 80. Uma das mais insistentes é em relação a voz de Paul Banks com a de Ian Curtis, vocalista do Joy Division, que se suicidou em 1980. Em entrevista à edição norte-americana da revista Rolling Stone, Banks reconheceu a similaridade entre sua voz e a de Curtis, mas dizendo não se importar com o que os outros achavam, justificou essa proximidade por ambos terem voz de barítonos e em algumas canções tentarem passar um certo sentido de intenso desespero. Na mesma entrevista, o guitarrista Daniel Kessler não via as comparações como algo tão ruim. Para ele, as comparações podem trazer algum ganho se, por exemplo, os fãs do Interpol por conta disso forem atrás das canções do Joy Division.

Após dois anos de turnês, o Interpol lançou seu segundo álbum “Antics” em 2004. Sem a carga depressiva do primeiro disco, as canções ficaram mais leves, mas ainda com a sonoridade do pós-punk. Nesse segundo álbum, a banda ampliou o alcance de suas composições e dos sentimentos expostos. O vocal de Paul Banks ficou mais melódico e menos monótono.

“Our Love to Admire”, o terceiro álbum da banda, lançado em 2007, marca a transição do grupo da cena independente para uma grande gravadora, a Capitol Records. Essa mudança não impediu que a banda continuasse a apresentar uma recuperação do pós-punk para uma geração de adolescentes que não tiveram a oportunidade de viver o auge do movimento nos anos 80. Todos os temas daquela geração estão presentes, como traição, desconfiança, paranóia, depressão.

Em sua trajetória o Interpol não tem sido uma unanimidade entre a crítica musical. A semelhança com a sonoridade e os temas do Joy Division tem sido a pedra no sapato do grupo, especialmente do vocalista Paul Banks. Um dos críticos da revista britânica New Musical Express, uma das mais famosas do Reino Unido, chegou a comentar em 2007 que eles seriam “a pior banda do planeta”, nada mais do que uma cópia sem talento do Joy Division. Por outro lado, a recuperação do pós-punk dos anos 80 é um dos elementos essenciais do sucesso do Interpol junto ao público.