O início do século 20 marca, como em vários domínios artísticos, uma virada para a dança. Um dos “batismos de fogo” dessa nova dança que se procurava apresentar nos teatros é a apresentação, em 1913, da peça “A Sagração da Primavera”, composta por Igor Stravinsky e coreografada por Vaslav Nijinsky, ambos russos. A partir de histórias eslavas pagãs, Stravinsky compõe uma música inovadora, recebida com vaias no dia da première em Paris, no Théâtre des Champs Elysées. Nijinsky não deixou por menos e soube dar à dança um outro aspecto, também radical e forte: os bailarinos batem os pés, voltados para dentro, num vigor e numa tensão até então nunca vistos. Nijinsky fazia parte dos Balés Russos, companhia dirigida por Serge Diaghilev, e que muito contribuiu para a evolução das artes em geral, provocando colaborações inéditas de jovens talentos da época, como Erik Satie, Jean Cocteau e Pablo Picasso, que trabalharam para o balé “Parade” (1917), de Leonide Massine.
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Na mesma época, a americana Isadora Duncan conquistava Paris com sua maneira inédita de dançar. Com os pés nus e sem tutu, ela reivindicava uma dança livre, completamente contra os padrões clássicos, buscando uma musicalidade própria ao seu corpo e à sua respiração, assim como movimentos conectados à natureza. Duncan é uma das pioneiras da dança moderna, que marca o fim da hegemonia do balé clássico e defende uma pesquisa individual de cada coreógrafo para encontrar novas maneiras de se mover.
Do outro lado do Atlântico, a dança também já dava outros passos. Os Estados Unidos são um terreno extremamente fértil para novas escolas e técnicas que vão surgir. Entre elas, destaca-se Ruth Saint Denis, que buscava inspiração nas danças orientais. Com seu marido, Ted Shawn, ela criou uma escola, onde estudaram Martha Graham e Doris Humphrey. Ambas também são consideradas como pioneiras da dança moderna, e criaram técnicas próprias. A técnica Graham até hoje é ensinada em muitos países, e baseia-se nos duos inspiração-contração e expiração-relaxamento. Nos seus espetáculos, Graham introduziu os conceitos de Carl Jung, da psicanálise, e questionava a condição feminina. Ela se interessou em criar uma dança própria ao seu tempo e ao seu país, que falasse diretamente dos assuntos americanos e da sua época.
Pés no chão, sem pontas ou sapatos, apoiada em movimentos expressivos e temáticas inspiradas da realidade, e sobretudo numa pesquisa de movimento individual e própria a cada artista – a maioria mulheres, a dança moderna iniciou de maneira radical a transformação do conceito existente até então de “balé”. Um ponto em comum forte prevaleceu, no entanto: a narratividade. A “dança de expressão” alemã, do início do século 20, também sublinha essa característica. Mary Wigman é a principal coreógrafa desse movimento artístico.