Introdução


balé

Já virou quase tradição: anualmente, o Grupo Corpo começa em São Paulo a sua turnê nacional, com sucesso garantido pela criatividade e qualidade das obras. Uma das companhias brasileiras de maior sucesso internacional, nos últimos 30 anos o Corpo soube dar um outro significado à dança no Brasil, reinventando uma linguagem secular – o vocabulário do balé clássico – com um “jeitinho brasileiro”, assinado pelo coreógrafo Rodrigo Pederneiras. Mexendo os quadris, nenhum dos bailarinos fica se equilibrando em pontas. Até parece que eles saíram da rua, onde o molejo nacional é visível em todas as esquinas, para entrar no palco. As dançarinas não são carregadas pelos homens como troféus ou seres alados, e de vez em quando, dependendo da peça que eles dançam, rola até um sambinha nas coreografias.

Balé
Andrew Ross © istockphoto.com

Ou seja, o balé para a companhia tem um significado muito específico, e virou uma dança de base clássica com sotaque tupiniquim – elementos da cultura popular misturados ao rigor e ao virtuosismo que caracterizam a técnica do balé, que é originalmente uma arte de elite. O Grupo Corpo conquistou o mundo com essa fórmula e até hoje é um bom exemplo de como o balé não cessa de evoluir e de nos emocionar. Na verdade, de maneira concisa, pode-se dizer que o “balé” virou, com o decorrer dos séculos, simplesmente e sobretudo “dança”. E quem diz dança, diz movimento. E por conseguinte : gravidade, espaço e tempo. Arranjar esses elementos, a partir do corpo humano, sozinho ou em grupo, constitui o be-a-bá dos coreógrafos. Se um diretor de teatro trabalha com seus atores principalmente a partir de um texto dramático, procurando interpretações e ângulos novos, o coreógrafo vai partir do corpo, “elemento zero” da dança. Vale lembrar a etimologia da palavra “coreografia”, que significa literalmente “escrita da dança”, na acepção primeira do termo, no século 18. O funcionamento do balé, ou da dança, está intimamente ligado a este ato, de compor, de escrever a partir do corpo em movimento.

Grupo Corpo Leucona
Divulgação / www.grupocorpo.com.br
Cena do espetáculo "Sete ou oito peças para um ballet" (1994),
coreografia de Rodrigo Pederneiras, do Grupo Corpo

No entanto, até se chegar a esta acepção de que o mínimo denominador comum da dança – o movimento – e os fatores que o compõem podem em si constituir uma definição de base, a arte de dançar em público e num palco passou por várias etapas importantes para se desfazer da herança clássica. A tal ponto que nossa percepção da dança até hoje, muitas vezes, é marcada pelas idéias que o balé difundiu, desde a Renascença, através das suas técnicas, imagens e lendas. Porém, há mais de um século que os coreógrafos e bailarinos estão conectados com o mundo atual, sua política, sociologia, seu “tempo”, preocupando-se pouco com valores clássicos como “graça”, “beleza” e “harmonia”. Essa trilogia foi tão sagrada em um dado momento da história da arte que muitos ainda ficam procurando seus traços nos palcos e corpos de hoje. Mergulhar – o tempo de um breve rasante – na história do balé e da dança, pode ser um primeiro passo para ver e sentir a dança com outros olhos. E um, dois, três...

 

Principais estilos e nomes

balé neoclássico
George Balanchine
Maurice Béjart
William Forsythe
Rodrigo Pederneiras

dança moderna
Isadora Duncan
Ruth Saint-Denis
Martha Graham
Doris Humphrey

dança pós-moderna
Trisha Brown
Lucinda Childs
Bill T. Jones

dança-teatro
Pina Bausch
Sacha Waltz

"nouvelle danse" francesa
Jean-Claude Gallotta
Régine Chopinot
Odile Duboc
Dominique Bagouet

dança contemporânea
Anne Teresa De Keersmaeker
Wim Vandekeybus
Alain Platel
Gilles Jobin (Suíça)
Edouard Lock (Canadá)
Meg Stuart
Henrique Rodovalho
Bruno Beltrão
Débora Colker

"não-dança" francesa e portuguesa
Jerôme Bel
Xavier Le Roy
Boris Charmatz
João Fiadeiro
Vera Mantero
Tiago Guedes
Cláudia Dias