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| balé |
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Já virou quase tradição: anualmente, o Grupo Corpo começa em São Paulo a sua turnê nacional, com sucesso garantido pela criatividade e qualidade das obras. Uma das companhias brasileiras de maior sucesso internacional, nos últimos 30 anos o Corpo soube dar um outro significado à dança no Brasil, reinventando uma linguagem secular – o vocabulário do balé clássico – com um “jeitinho brasileiro”, assinado pelo coreógrafo Rodrigo Pederneiras. Mexendo os quadris, nenhum dos bailarinos fica se equilibrando em pontas. Até parece que eles saíram da rua, onde o molejo nacional é visível em todas as esquinas, para entrar no palco. As dançarinas não são carregadas pelos homens como troféus ou seres alados, e de vez em quando, dependendo da peça que eles dançam, rola até um sambinha nas coreografias.
![]() Andrew Ross © istockphoto.com |
![]() Divulgação / www.grupocorpo.com.br Cena do espetáculo "Sete ou oito peças para um ballet" (1994), coreografia de Rodrigo Pederneiras, do Grupo Corpo |
No entanto, até se chegar a esta acepção de que o mínimo denominador comum da dança – o movimento – e os fatores que o compõem podem em si constituir uma definição de base, a arte de dançar em público e num palco passou por várias etapas importantes para se desfazer da herança clássica. A tal ponto que nossa percepção da dança até hoje, muitas vezes, é marcada pelas idéias que o balé difundiu, desde a Renascença, através das suas técnicas, imagens e lendas. Porém, há mais de um século que os coreógrafos e bailarinos estão conectados com o mundo atual, sua política, sociologia, seu “tempo”, preocupando-se pouco com valores clássicos como “graça”, “beleza” e “harmonia”. Essa trilogia foi tão sagrada em um dado momento da história da arte que muitos ainda ficam procurando seus traços nos palcos e corpos de hoje. Mergulhar – o tempo de um breve rasante – na história do balé e da dança, pode ser um primeiro passo para ver e sentir a dança com outros olhos. E um, dois, três...
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