Não é fácil selecionar quais são as melhores histórias em quadrinhos de Asterix. Mas, para começar podemos situá-las entre aquelas escritas por René Goscinny. Foram 23 roteiros completos, desde “Asterix, o Gaulês”, de 1961, até “Obelix e Companhia”, de 1976. Quando morreu em 1977, Goscinny estava escrevendo “Asterix e os Belgas”, que foi finalizado por Uderzo e lançado em 1979.
![]() Reprodução Seqüência de "Asterix e Cleópatra": a fala dos egípcios parece como hieróglifos nos balõezinhos |
Em “Asterix e Cleópatra”, uma aposta entre a rainha do Egito e o imperador romano Júlio César leva Asterix, Obelix, Idéiafix e Panoramix para Alexandria. Para provar a capacidade dos egípcios, Cleópatra promete a César a construção de um palácio em sua homenagem em três meses. O arquiteto Numeróbis fica encarregado do feito e, para evitar que seja lançado aos crocodilos caso falhe, acaba por recorrer ao seu amigo Panoramix. O divertido pastiche histórico habitual em Asterix mostra nesta historinha a inserção de questões trabalhistas modernas no sistema de trabalho do Egito antigo. Assim, as chicotadas nos trabalhadores obedecem a um sistema de turnos e revezamento e uma greve é feita para reivindicar a diminuição do número de chicotadas. Outras piadas históricas incluem a perda de parte do nariz da Esfinge após Obelix tentar escalá-la e a frase de Panoramix parodiando Napoleão: “Do alto dessas pirâmides, Obelix, vinte séculos nos contemplam”.
Em “Asterix e os Bretões”, a historinha começa com Júlio Cesar indo com toda sua frota e exércitos conquistar a Bretanha. Apesar de bravos guerreiros, os bretões mantinham hábitos excêntricos, como parar a batalha todos os dias às cinco da tarde para tomar água quente com tostadas ou descansarem dois dias a cada sete, no que chamavam de fim de semana. Assim, a sagacidade de Júlio César o levou a atacar os bretões apenas após as cinco da tarde e nos dias em que eles repousavam. Isso fez com que a Bretanha fosse quase que inteirinha dominada pelos romanos. Quase, porque uma ínfima aldeia resiste aos ataques. Para ajudá-la resolvem recorrer a seus amigos gauleses, do outro lado do canal da Mancha. Algumas das piadas giram em torno do modo de falar rebuscado dos bretões e de sua elegância, o que inclui roupas de tweed e o hábito de “sacudir as mãos” para se cumprimentarem. Entre as típicas trapalhadas romanas sempre presentes, uma delas mostra os legionários confiscando e experimentando a bebida de todos os barris das adegas de Londinium para tentar encontrar a poção mágica dos gauleses. No final, toda a tropa fica embriagada. As piadas incluem também o fog londrino, a má culinária dos bretões e uma aparição dos bardos mais famosos da época, numa clara referência aos Beatles.
![]() View Enlarged Image Reprodução Seqüência dos quadrinhos "O Combate dos Chefes", uma das obras primas criadas por Goscinny e Uderzo |
Em “O Domínio dos Deuses”, o plano de Júlio César para finalmente derrotar os irredutíveis gauleses é a construção de um supercondomínio de luxo rodeando a aldeia. Algumas das cenas mais engraçadas se concentram nas atrapalhadas tentativa dos romanos de derrubarem a floresta no entorno da vila gaulesa para iniciarem as obras. Tendo à frente o arquiteto Compassus, contramestres e escravos iberos, lusitanos, númidas, belgas e godos são enviados para iniciarem o trabalho de retirada das árvores. Escoltados pelas legiões romanas locais que, calejadas de apanharem dos gauleses, os orientam a fazerem o mínimo de barulho para não terem sua presença notada. Os exóticos comportamentos e a malandragem dos escravos constroem cenas antológicas onde os romanos acabam sempre ridicularizados.
Esses são apenas alguns exemplos de como as aventuras de Asterix trazem divertidas ironias, que criticam do imperialismo aos modismos. Cheias de referências que remetem o leitor a outros conteúdos culturais, as historinhas criadas por René Goscinny e Alberto Urdezo figuram entre as mais inspiradas obras das histórias em quadrinhos. Mas só lendo para entender o quanto elas são divertidas.
![]() Reprodução |
Assista ao trailer (dublado) de "Asterix nos Jogos Olímpicos" “Asterix nos Jogos Olímpicos” chega aos cinemas como o terceiro longa-metragem que transporta as aventuras de Asterix dos quadrinhos para as telonas com atores de verdade. A historinha em que o filme se baseia, lançada originalmente em 1968, foi a quinta aventura de Asterix desenvolvida por Goscinny e Uderzo. O argumento mostra que, ao descobrirem que há uma competição esportiva entre gregos e romanos a cada quatro anos e ficarem interessados em participar dela, Asterix, Obelix e os moradores da aldeia têm de assumir sua face galo-romana, pois só romanos e gregos podem competir nos Jogos. Mas há mais um detalhe importante, os gauleses não poderão tomar da poção mágica de Panoramix para competir. Com participações especiais de Michael Schumacher e Zinedine Zidane, o filme traz o ator Clovis Cornillac como Asterix, Gerard Depardieu como Obelix e Alain Delon como Júlio César. A direção é de Frédéric Forestier e Thomas Langmann, que após as primeiras críticas negativas em relação ao filme justificou que o público-alvo da produção são as crianças e não os adultos. |