A arte provavelmente começou como uma forma de comunicação ou como um registro de informações. Arqueologistas e antropologistas têm especulado que as pinturas antigas em cavernas, encontradas em todo o mundo, são registros de caças de tribos ou temporadas de caça, devido à proliferação de repetidos desenhos de animais. Mais tarde, esses desenhos passaram a ter importância simbólica. As pessoas da antigüidade podem ter associado animais, plantas e pessoas com boa ou má sorte, mudanças sazonais, enchentes, nevoeiros, boas caças e estilos de vida em comunidade. Conseqüentemente, vemos artesanatos descobertos que mostram uma tentativa maior do que somente registrar informações, imagens esculpidas de mulheres e pequenos animais. Até mesmo objetos utilitários como facas ou pontas de flecha começam a apresentar algumas tentativas de arte na forma elaborada como foram esculpidas e decoradas. O fato é que os artesãos antigos começaram a se interessar não somente pela utilidade, mas também pela aparência dos itens que produziam. Esta tendência continuou por muitas civilizações e, sem dúvida, imagens de caixões de múmias do Egito, estátuas gregas, mosaicos bizantinos e imagens budistas aparecem em nossa mente quando pensamos a respeito de arte antiga. A maioria das manifestações era religiosa, talvez porque a religião tinha um índice de símbolos de referência que podiam ser produzidos em massa ou talvez porque na antigüidade onde a arte era, antes de mais nada, simbólica, a religião era o assunto mais simples de todos.
Seja qual for o motivo, em muitas culturas vemos o crescimento da arte secular coincidindo com o crescimento de um novo tipo de arte, focada em pessoas e acontecimentos diários ao invés de em símbolos espirituais e lendários. Retratos, bustos clássicos e monumentos começam a aparecer. Logicamente, em muitos casos, ainda houve sobreposição de temas seculares e religiosos, quando governadores de um reino eram esculpidos vestidos de Zeus ou Posseidon ou imagens indígenas femininas parecidas com imagens de deusas indígenas. Na verdade, esta tendência continuou até o final do século XIX, quando ainda se pintavam cenas bíblicas ou mitológicas.
Com a arte secular, começou o desenvolvimento da arte decorativa, que pode variar desde grandes objetos como arquitetura ou paisagens formais, até pequenos itens como azulejos pintados à mão ou topiaria (arte de esculpir plantas de ornamento). Em tudo isso existe um esforço visível para criar e moldar com imaginação, não se prendendo apenas à utilidade.