Introdução


arquivo X

O tenente Walter Haut não levou para o túmulo um segredo. Num testemunho revelado após sua morte, o ex-porta-voz da base militar de Roswell, no Novo México (EUA), afirmou que viu os corpos de extraterrestres resgatados pelos militares em uma noite de julho de 1947. Além dos corpos, havia também restos do que provavelmente seria uma espaçonave. Haut acrescentou lenha numa fogueira que arde há décadas em torno do que realmente aconteceu em Roswell. A “verdade” sobre o incidente não estaria lá fora, mas encoberta por um pacto de silêncio entre os envolvidos. E também por ações nada amigáveis. Uma delas, o misterioso desaparecimento de uma enfermeira da base, que também teria visto os alienígenas, segundo Haut. A outra, a morte por ataque cardíaco do coronel Philip J. Corso, um ex-oficial do Pentágono, coincidentemente apenas alguns dias após ele revelar que a tecnologia alienígena identificada em Roswell foi passada à indústria de armamentos americana. “Fatos” como esses alimentam a crença de que estamos sendo enganados por uma conspiração governamental. Talvez mundial. Pior. Talvez em conluio com os ETs.

Arquivo X
Divulgação
Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson),
a dupla de agentes do FBI encarregada dos "arquivos X"

Mas há sempre quem lute por nós. Fox Mulder e Dana Scully, agentes do FBI (a polícia federal norte-americana), fazem isso desde os anos 90. Num seriado campeão de audiência, eles procuram decifrar mistérios sobre alienígenas, mutantes, poderes paranormais e enfermidades bizarras, entre outras anormalidades. Muitas vezes terminam sem respostas e em muitas outras se vêm no meio de alguma conspiração governamental. A dupla dedica-se a investigar aquilo que o FBI classifica como “arquivos X”, fenômenos inexplicáveis e, portanto, sem solução. Mulder e Scully são como versões contemporâneas de Sherlock Holmes e Dr. Watson. Mulder é adepto de um processo de investigação que cria hipóteses explicativas a fenômenos que não se encaixam nas regras lógicas gerais. Essa forma de raciocinar chama-se abdução (ironicamente o mesmo nome utilizado nos raptos de humanos pelos ETs). Assim, suas suposições são construídas em um processo muito parecido com o usado nas investigações de Holmes. Scully é a cética cientista. Como Dr. Watson, ela é médica e um contraponto racional às hipóteses mirabolantes do parceiro.

Rolling Stone capa Arquivo X
Reprodução
O sucesso de "Arquivo X" levou os protagonistas para
a capa da edição norte-americana da revista Rolling Stone

“Arquivo X” virou um fenômeno pop logo após sua estréia na TV em 1993. Criada por Chris Carter, a série trouxe um clima sombrio, de paranóia e de descrença no governo norte-americano, tendo à frente justamente dois agentes federais. Ao misturar eventos históricos, instituições da vida real, fenômenos paranormais, ameaças alienígenas, experiências genéticas e conspirações governamentais, “Arquivo X” construiu uma nova visão ficcional sobre a história recente e sobre vários mistérios que alimentam nossa imaginação. O sucesso foi tal que rendeu 202 episódios em nove temporadas. Em 1998, foi lançado “Arquivo X, o filme” (The X-Files – Fight the Future), primeiro longa-metragem para o cinema. Em 2008, é a vez de “Arquivo X: Eu Quero Acreditar” (The X-Files – I Want to Believe). O segundo longa-metragem mostra que, mesmo seis anos após a exibição do último episódio inédito na TV, os excers (como são conhecidos os admiradores mais fanáticos da série) continuam a acreditar em Mulder e Scully. Afinal, como todo fã de “Arquivo X” bem sabe, todas as mentiras levam sempre à verdade.