Introdução

Seria possível conciliar a experimentação de vanguarda e a produção de grande penetração mercadológica do mundo pop? Se essa pergunta for feita a Arnaldo Antunes, a resposta certamente será “sim!”. Compositor, intérprete, poeta, artista multimídia, em suma, artista multifacetado, Arnaldo Antunes parece não ter amarras com gêneros, com temáticas específicas, nem mesmo com as linguagens que constituem sua obra: trabalha com a palavra, a música, a imagem e o gesto com a mesma fluência, como se fossem uma mesma matéria prima nas mãos de um construtor de novidades.

Arnaldo Antunes
Foto: Mathias Coaracy/AE
Arnaldo Antunes em show em São Paulo em 2007

A originalidade é a grande assinatura desse artista que parece estar constantemente buscando deslocar um pouco adiante as fronteiras da experiência do público com a obra de arte. Talvez por isso mesmo, seja impossível falar do Arnaldo compositor e intérprete sem que se fale do poeta, do artista performático ou do artista multimídia, já que muito de sua produção é concebida como uma superposição de todos esses códigos ao mesmo tempo.

Se há uma característica marcante na totalidade de sua obra é a presença infalível de uma certa homenagem à palavra. Mas essa palavra nas mãos de Arnaldo não é unidimensional. Ela parece brotar do entrelaçamento da poesia, da música, das imagens, dos ruídos, e é explorando seus contornos, seus tamanhos e cores, sua musicalidade, seu poder de sedução, de persuasão, ou mesmo de choque, que Arnaldo extrai a vitalidade do que faz.

Arnaldo Antunes
gênero: pop, rock e MPB
principais influências: poesia concreta e tropicalismo
carreira: com os Titãs, de 1982 a 1992; com os Tribalistas em 2002, e carreira solo desde 1993
álbuns essenciais: Nome (1993), Paradeiro (2001) e Qualquer (2006)